"Sofremos sem adeus", diz família ao receber corpo com larvas para velório
Bruno morreu esmagado por um caminhão, mas foi velado com caixão lacrado devido ao estado de decomposição
Os familiares do mecânico Bruno Lopes de Freitas, 33 anos, denunciam negligência no processo pericial após sua morte em um acidente de trabalho. Segundo eles, o corpo estava em decomposição e com larvas quando foi entregue para o velório, impossibilitando uma despedida digna.
Morador de Sidrolândia, Bruno morreu por volta das 16h de segunda-feira (3), no pátio da empresa onde trabalhava. A equipe da Perícia chegou ao local por volta das 20h e, após os trâmites policiais, o corpo foi levado para o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) da Capital depois das 22h.
Somente no fim da tarde do dia seguinte, a funerária retirou o corpo do instituto. Segundo a família, ele já estava em avançado estado de decomposição, com larvas visíveis. Nem a pequena janela de vidro do caixão pôde ser aberta.
“Meu irmão deveria ter sido refrigerado, assim ele não teria sido exposto às moscas. Mas ficou do jeito que saiu daqui, no saco preto. Quando a funerária trouxe, já estava assim, inchado. Ele foi enterrado nu, no saco preto. Minha cunhada ainda teve que ver essa situação. A nós coube apenas sofrer sem o último adeus”, desabafa a podóloga Franciane do Nascimento, 29 anos, irmã de Bruno.
Para ela, o sofrimento da família foi ainda maior diante das condições em que o corpo foi entregue. “Ele morreu trabalhando, merecia ao menos dignidade na despedida. A única explicação para isso é a falta de profissionais durante o Carnaval”, afirma.
Em nota enviada ao Campo Grande News, o Imol informou que Bruno permaneceu na câmara fria durante todo o período de espera e alegou não ser responsável pelo preparo do corpo para o velório.
Por Kamila Alcântara e Bruna Marques
CAMPO GRANDE NEWS