Ex-estagiário do MPMS ligado a Claudinho Serra recebeu propina em novo esquema de corrupção em Sidrolândia

28/11/2025 05h55 - Atualizado há 1 dia

Alvo da Tromper também teve participação no esquema de propina dos vereadores

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Divulgação

Um elemento liga dois esquemas de corrupção que movimentaram Sidrolândia nos últimos tempos: o ex-estagiário do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Yuri Morais.

Yuri também recebeu propina via Pix — esquema desmontado pela Operação Dirty Pix, em 18 de novembro. Ele teria recebido R$ 10 mil desviado do convênio de R$ 5,4 milhões para compra de equipamentos médicos — valor que também foi recebido por vereadores.

O esquema de propina via Pix seria para conseguir apoio na Câmara Municipal para o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa. Entretanto, o inquérito não explica qual seria a participação de Yuri na trama — apenas cita que recebeu o valor de uma das envolvidas.

O ex-estagiário não chegou a ser alvo de busca e apreensão do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Repasse de informações sigilosas

Já no esquema que seria chefiado por Claudinho Serra, Yuri teria repassado documentos sigilosos para membros da organização criminosa.

Durante as investigações, foi identificado que o grupo criminoso cooptou um colaborador do Ministério Público, um estagiário da Promotoria de Justiça de Sidrolândia. Mesmo sendo estagiário, o servidor identificado como Yuri Morais tinha acesso aos documentos sigilosos.

Em janeiro de 2023, antes da Operação Tromper, foi instaurado procedimento de investigação pela Promotoria de Justiça de Sidrolândia. Então, as partes foram notificadas e o grupo se articulou para ter acesso ao teor da denúncia.

No entanto, a denúncia era sigilosa. Mesmo assim, Ricardo José Rocamora teria conversado com o advogado Milton Matheus Paiva Matos. Milton enviou foto da página inicial de acesso ao inquérito, avisando que precisava de senha, pois estava sob sigilo.

Primeiros condenados na Tromper

No dia 8 de agosto, o juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva sentenciou os primeiros condenados da operação que revelou desvios milionários em contratos no município de Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande.

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Na ocasião, cinco empresários e dois servidores municipais foram condenados a 111 anos e 11 meses de prisão por crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e também fraude em licitações.

A ação penal dos condenados refere-se à primeira fase da operação, que foi deflagrada em 2023. Ainda cabe recurso e, com exceção de Ueverton, os demais irão aguardar soltos o trânsito em julgado.

Conforme as sentenças aplicadas pelo magistrado, o empresário Ueverton da Silva Macedo, o ‘Frescura’, foi o réu punido com maior condenação. Ele terá de cumprir 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão.

Na sequência, o também empresário Ricardo José Rocamora Alves foi sentenciado a 28 anos, três meses e 20 dias de prisão.

Além deles, tiveram condenações:

Roberto da Conceição Valençuela, outro empresário: 11 anos e 6 meses de prisão;

O empresário Odinei Romero de Oliveira: 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão;

Everton Luiz de Souza Luscero, também empresário: 15 anos e 9 meses de prisão;

O servidor público Flávio Trajano Aquino dos Santos: 8 anos e 4 meses de prisão;

César Augusto dos Santos Bertoldo, servidor público: 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão.

Dirty Pix

A Operação Dirty Pix, do Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM).

A investigação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar.

Porém, parte dessa verba foi desviada pela direção do hospital e pela empresa fornecedora, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93). A empresa ainda teria pagado vantagens indevidas a vereadores.

Os pagamentos eram feitos por meio de transferências Pix diretamente, ou por meio de terceiros, aos parlamentares e ao presidente do hospital, Jacob Breure.

Foram alvos da operação:

Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;

Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;

Cleyton Teixeira, secretário municipal de Agricultura e Abastecimento;

Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador;

Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;

Adavilton Brandão (MDB), vereador;

Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;

Elieu Vaz (PSB), ex-vereador;

José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;

Júlio César Alves da Silva, articulador político;

Júlia Carla Nascimento, filha de Júlio César;

Adriele Nogueira Trelha, esposa de Júlio César;

Silvio de Azevedo Pereira Júnior, proprietário da Farma Medical e Pharbox;

Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);

Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);

Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ 40.273.753/0001-95);

Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93).

Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa (CNPJ 03.030.285/0001-00)

“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “Pix sujo” e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.

Em nota, a Pharbox garantiu ter entregue os dois equipamentos médicos comprados pelo hospital em setembro de 2023.