Exame de retina pode prever risco de osteoporose, diz estudo
Análise com inteligência artificial identifica sinais na retina ligados à osteoporose
Um exame simples nos olhos pode ajudar a prever o risco de osteoporose antes mesmo do surgimento de sintomas. A descoberta é de um estudo publicado nesta quinta-feira (15/05) na revista científica PLOS Digital Health, que identificou uma relação direta entre características da retina e a densidade dos ossos.
A pesquisa utilizou inteligência artificial para analisar imagens do fundo do olho e encontrou padrões associados ao enfraquecimento ósseo. Os resultados indicam que a retina pode funcionar como um marcador precoce da doença, ampliando as possibilidades de diagnóstico antecipado.
Para chegar às conclusões, os cientistas utilizaram um algoritmo chamado RetiAGE, capaz de estimar a idade biológica da retina a partir de fotografias oculares. A lógica é simples: quanto mais “envelhecida” a retina aparece, maior pode ser o risco de alterações em outras partes do corpo — incluindo os ossos.
O estudo foi conduzido em duas etapas. Na primeira, foram analisados dados de 1.965 participantes em Singapura. Na segunda, os pesquisadores avaliaram informações de 43.938 pessoas do banco de dados britânico UK Biobank, permitindo acompanhar o risco de desenvolvimento da doença ao longo do tempo.
Retina pode indicar ossos mais frágeis
Os resultados mostraram que pessoas com uma retina biologicamente mais envelhecida apresentavam menor densidade mineral óssea e piores indicadores clínicos relacionados à osteoporose. Além disso, esses indivíduos também tinham maior probabilidade de desenvolver a doença no futuro.
Segundo os autores, a conexão pode ser explicada por processos biológicos compartilhados entre vasos sanguíneos e tecido ósseo. Alterações na microcirculação, visíveis nos olhos, podem refletir mudanças sistêmicas no organismo.
A osteoporose é uma doença silenciosa, caracterizada pela perda progressiva de massa óssea, o que aumenta o risco de fraturas. Muitas pessoas só descobrem a condição após sofrer quedas ou lesões mais graves.
Atualmente, o principal exame para diagnóstico é a densitometria óssea, que nem sempre está amplamente disponível. A possibilidade de utilizar exames oftalmológicos — mais acessíveis e já incorporados à rotina de muitos pacientes — pode facilitar o rastreamento precoce e ampliar o acesso ao diagnóstico.
Principais sintomas da osteoporose
Ausência de sintomas no início: a doença evolui de forma silenciosa, sem sinais evidentes nas fases iniciais;
Fraturas frequentes ou inesperadas: podem ocorrer mesmo após quedas leves ou movimentos simples;
Dor nas costas: geralmente associada a fraturas ou microfraturas na coluna;
Diminuição da altura ao longo do tempo: resultado do desgaste e compressão das vértebras;
Postura encurvada: pode surgir em estágios mais avançados da doença.
Melhor forma de tratar
O tratamento da osteoporose envolve uma combinação de medidas para fortalecer os ossos e evitar fraturas. As principais estratégias incluem:
Reposição de cálcio e vitamina D, essenciais para a saúde óssea;
Prática regular de atividade física, principalmente exercícios de impacto leve e musculação;
Uso de medicamentos, quando indicado por médico, para reduzir a perda óssea;
Mudanças no estilo de vida, como evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool;
Prevenção de quedas, especialmente em idosos.
O objetivo do tratamento não é apenas aumentar a densidade dos ossos, mas principalmente reduzir o risco de fraturas e preservar a qualidade de vida.
Técnica ainda não substitui exames tradicionais
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a tecnologia ainda não está pronta para uso clínico. O método precisa ser validado em diferentes populações e contextos antes de ser incorporado à prática médica.
O estudo também aponta limitações, como a necessidade de avaliar outros fatores que influenciam a saúde ocular e óssea. Por isso, a análise da retina deve ser vista, por enquanto, como uma ferramenta complementar e não substituta dos exames já consolidados.
Como a condição pode evoluir sem sintomas por anos, especialistas recomendam acompanhamento regular, especialmente para pessoas acima dos 50 anos ou com maior risco.
Isabella França
METRÓPOLES
