Casos de síndrome respiratória crescem em bebês e acendem alerta no Brasil

17/04/2026 05h26 - Atualizado há 2 horas

Brasil vê estabilidade geral, mas 14 unidades da federação e capitais enfrentam tendência de alta em casos de síndrome respiratória

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Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) • Getty Images/Prapass Pulsub

O aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de 2 anos acendeu um alerta em quatro das cinco regiões do Brasil — Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

Segundo o Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (16), o principal responsável pela alta é o vírus sincicial respiratório (VSR), que tem impulsionado as hospitalizações nessa faixa etária. Enquanto isso, os casos graves de Covid-19 seguem em queda no país.

Os dados se referem à Semana Epidemiológica 14, entre 5 e 11 de abril. O InfoGripe, iniciativa do Sistema Único de Saúde (SUS), monitora os agora de SRAG e orienta ações de vigilância e resposta a eventos em saúde pública.

De acordo com a pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, o VSR é uma das principais causas de internação de crianças pequenas, especialmente por bronquiolite. Ela reforça a importância da vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gestação para proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

Portella também chama atenção para o aumento de hospitalizações por influenza A em diversos estados e recomenda que os grupos prioritários procurem a vacinação anual.

No panorama nacional, os casos de SRAG apresentam estabilidade tanto no curto quanto no longo prazo. Ainda assim, 14 das 27 unidades da federação permanecem em níveis de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento nas últimas seis semanas.

Os estados mais afetados estão distribuídos pelas regiões Norte (Acre, Pará e Tocantins), Nordeste (Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro).

O avanço do VSR é observado em todos os estados do Centro-Oeste e Sudeste, além de grande parte do Norte e Nordeste. Já a influenza A apresenta crescimento sobretudo na região Centro-Sul — incluindo estados como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — e em partes do Norte e Nordeste.

Em contrapartida, há queda dos casos de SRAG por influenza A em alguns estados nordestinos, além do Pará e do Rio de Janeiro.

Os casos associados ao rinovírus mostram tendência de estabilização ou queda na maior parte do país, com exceção de Pará e Mato Grosso, onde ainda há crescimento.

Entre as capitais, 14 apresentam níveis de alerta ou risco com tendência de alta no longo prazo, incluindo Belém, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Os dados também indicam que a incidência de SRAG é mais elevada em crianças pequenas, principalmente por VSR e rinovírus, enquanto a mortalidade se concentra entre idosos, sobretudo em decorrência de influenza A e Covid-19.

Em 2026, já foram registrados 37.244 casos de SRAG no país. Destes, 42,5% tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, com predominância de rinovírus (41,1%), seguido por influenza A (25,5%) e VSR (17,4%). Nas últimas quatro semanas, influenza A e VSR ganharam mais peso entre os casos, enquanto a Covid-19 representou apenas 5,5% das infecções confirmadas.

Entre os óbitos recentes, a influenza A lidera, responsável por 40,8% das mortes por SRAG, seguida por rinovírus (26,9%) e Covid-19 (23,3%), evidenciando a mudança no perfil dos vírus mais letais no país.

Mariana Valbão, da CNN Brasil