Vitória democrata nos EUA pode abrir investigação sobre fuga de Flávio Bolsonaro e aumentar pressão sobre Trump

31/10/2026 10h27 - Atualizado há 1 hora

Eventual maioria legislativa de oposição a Trump poderia investigar e fazer pressão política, mas foco deve recair sobre outras pautas

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Crédito: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro

O Partido Democrata pode retomar a maioria no Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026 e utilizar o novo status legislativo para apurar o apoio do governo de Donald Trump à fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao país, segundo avaliação de especialistas ouvidos pelo G1.

A presença do parlamentar brasileiro em solo norte-americano dias antes do pleito renovatório de toda a Câmara dos Deputados e de cerca de um terço do Senado impulsionou mobilizações em plataformas digitais. A repercussão levou a tag #DeportTheBolsonaros ao topo das pautas mais compartilhadas no X no Brasil. Por causa disso, usuários têm feito apelos diretos a candidatos da oposição a Trump para a expulsão de Flávio.

Papel do Congresso e limites institucionais

Especialistas ressaltam que a deportação ou expulsão do senador não cabe ao Poder Legislativo dos Estados Unidos. As decisões sobre a permanência de cidadãos estrangeiros em território americano permanecem restritas a organismos do Poder Executivo sob comando da gestão Trump, como o Departamento de Estado — chefiado por Marco Rubio — e o Departamento de Segurança Interna.

Existem diferenças jurídicas cruciais entre os procedimentos migratórios: a revogação de um visto não acarreta a retirada imediata do indivíduo do país; a deportação requer processo legal específico para a remoção; e a expulsão pode determinar a saída mandatória conforme normas aplicáveis.

Apesar da impossibilidade de determinar a saída do senador, a oposição tem caminhos para atuar. Uma eventual maioria na Câmara dos Deputados permite a abertura de comissão parlamentar de inquérito para checar se houve concessão de favorecimentos na liberação de vistos, na liberação de entrada ou na manutenção do status migratório de Flávio Bolsonaro e de seus familiares. A instauração de uma investigação desse tipo dispensa a aprovação simultânea de maioria no Senado.

Uma das medidas aventadas seria a convocação do secretário de Estado, Marco Rubio, para prestar depoimentos formais. O avanço dessas cobranças públicas ampliaria o desgaste político sobre a Casa Branca e poderia influenciar decisões das autoridades responsáveis pelos trâmites migratórios. Contudo, o Executivo pode recorrer a privilégios legais para limitar o acesso de parlamentares a relatórios internos e comunicações presidenciais relativas aos vistos.

Prioridades da oposição e questionamento oficial

Mesmo com a viabilidade técnica de instaurar investigações, a situação de Flávio Bolsonaro não deve figurar no centro da pauta democrata. A tendência é que a oposição concentre suas ações na limitação da agenda econômica de Trump, no enfrentamento do custo de vida e na preparação para o pleito presidencial de 2028.

A articulação política da oposição sobre o tema já teve desdobramentos formais. Um grupo de 25 deputados democratas — liderado por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, com apoio de integrantes do Comitê de Relações Exteriores — encaminhou carta ao Departamento de Estado questionando o papel da administração norte-americana. No documento enviado na noite de quinta-feira, os parlamentares cobraram esclarecimentos diretos:

“A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?”.

Projeções para as eleições de meio de mandato

As pesquisas e projeções eleitorais mais recentes apontam favoritismo do Partido Democrata para o controle das duas Casas do Congresso.

Senado

Center for Politics (Universidade da Virgínia – 14 de outubro): Democratas com 49 cadeiras, Republicanos com 46 cadeiras e 5 disputas indefinidas.

Race to the WH (22 de outubro): Democratas com 52 ou 53 cadeiras, Republicanos com 47 ou 48 cadeiras e 72,5% de probabilidade de vitória democrata.

270toWin: Democratas com 48 cadeiras, Republicanos com 48 cadeiras e 4 disputas indefinidas.

Câmara dos Deputados

Levantamento da Reuters/Ipsos divulgado em 19 de outubro indicou 47% das intenções de voto para candidatos democratas, contra 35% direcionados aos republicanos.

Center for Politics (Universidade da Virgínia – 20 de outubro): Democratas com 223 cadeiras, Republicanos com 200 cadeiras e 12 disputas indefinidas.

Race to the WH (22 de outubro): Democratas com 236 cadeiras, Republicanos com 199 cadeiras e 92,2% de probabilidade de vitória democrata.

270toWin: Democratas com 220 cadeiras, Republicanos com 200 cadeiras e 15 disputas indefinidas.

Guilherme Levorato

BRASIL 247