Sócio de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz, aplicou R$ 4,8 milhões em bet suspeita de ligação com PCC

21/10/2026 05h10 - Atualizado há 1 hora

Advogado mobilizou quantia milionária na Bet7K, plataforma que virou alvo da Polícia Federal

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Divulgação

O jurista Willer Tomaz movimentou a quantia expressiva de R$ 4,8 milhões na plataforma Bet7K, gerida pela organização Ana Gaming, empresa que acabou se tornando alvo de investigações da Polícia Federal sob a acusação de operacionalizar esquemas de lavagem de capital oriundo do Primeiro Comando da Capital (PCC). A deflagração da ação policial, denominada Operação Narco Bet, ocorreu em novembro de 2025, informa Tácio Lorran, do Metrópoles.

Conforme apontam registros do Ministério da Fazenda, a transação inicial efetuada pelo advogado consistiu em um aporte de R$ 1,3 milhão. Esse montante expandiu-se e gerou uma movimentação total de R$ 4,3 milhões em apostas e jogos eletrônicos na Bet7K, dos quais Tomaz efetuou o resgate de R$ 426 mil. O site de apostas em questão inclusive já figurou como patrocinador oficial do Santos Futebol Clube.

De acordo com as apurações conduzidas pelas autoridades policiais, a engenharia financeira destinada a custear a obtenção das licenças de funcionamento da Bet7K foi estruturada por Rodrigo de Paula Morgado, apontado pela apuração como o responsável pela contabilidade do PCC. O levantamento investigativo também mapeou repasses milionários em criptoativos realizados por fora do sistema bancário e financeiro tradicional. Esse fluxo envolvia o próprio contador, a estrutura da Ana Gaming e Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, conhecido pelas alcunhas de “Feio” e “Brabo”, indivíduo associado à gestão da plataforma pela Polícia Federal.

Em paralelo, a proximidade do advogado com o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) também ganha relevância no radar dos investigadores em razão de outra frente apuratória: a movimentação de R$ 1,4 bilhão na casa de apostas Blaze. A suspeita da Polícia Federal é de que tanto os palpites efetuados no portal quanto os fluxos de valores transacionados entre múltiplas contas associadas a Willer funcionavam como estratégia para dissimular e ocultar a procedência e a destinação final das quantias.

Diante do Judiciário, Tomaz alegou ser portador de ludopatia — patologia caracterizada pelo vício compulsivo em jogos — e sustentou a existência de inconsistências na operação da Blaze. Os argumentos fundamentaram uma ação judicial em que o advogado pleiteava a restituição de R$ 163 milhões cobrados da empresa. O pedido, contudo, foi rejeitado pela Justiça de São Paulo na sexta-feira (16). Na decisão, o magistrado Guilherme Madeira Dezem, titular da 44ª Vara Cível da capital paulista, salientou que o autor do processo havia requisitado tratamento e condições sob medida para efetuar apostas de valores astronômicos, solicitando, inclusive, a disponibilização de mesas privadas de blackjack.

Guilherme Levorato

BRASIL 247