PT-SP monta força-tarefa para defender vítimas de perseguição e boicote
Partido reage a explosão de denúncias de perseguição, boicote econômico e violência contra eleitores de Lula (PT) após vitória do petista
O diretório estadual do PT em São Paulo montou uma força-tarefa para reagir ao grande número de relatos de boicote, violência e assédio trabalhista contra pessoas que teriam declarado apoio à reeleição do presidente Lula (PT). Em menos de 48 horas o partido recebeu 42 denúncias formais de violência e perseguição política e agora discute estratégia para oferecer atendimento jurídico gratuito às vítimas.
A estratégia partiu do diretório estadual, que se uniu ao coletivo Grupo Prerrogativas, ao setorial jurídico do partido e aos advogados que atendem o partido, e iniciou campanha nas redes sociais para que vítimas relatassem o que sofreram e pudessem receber apoio desta força-tarefa.
“A história já nos mostrou aonde podem levar a perseguição política, a intolerância e os boicotes motivados por preconceito ou divergências ideológicas. Não podemos naturalizar comportamentos que remetem a períodos sombrios da humanidade. Defender quem sofre perseguição é também defender a democracia”, diz Kiko Celeguim, deputado federal reeleito e presidente do PT de São Paulo.
Em poucas horas chegaram ao partido 19 denúncias de retaliação por divergência de opinião política, 17 relativa a perseguição econômica, 15 de assédio verbal, ameaças e intimidações, 14 de demissão motivada por posicionamento político e cinco casos de agressão física ou dano patrimonial. Às vezes, mais de uma coisa por denúncia.
“Tem situações que vai ser necessário entrar com ação judicial por danos morais, até para dano moral coletivo. Um vice-prefeito do interior promovendo um boicote, por exemplo. Temos várias providências jurídicas para serem tomadas nos próximos dias”, diz o advogado Michel Bertoni Soares, que atende o PT-SP. A lista não inclui denúncias recebidas no fim de semana.
No interior de São Paulo, um comerciante relatou que um agressor invadiu seu estabelecimento com blocos de concreto de uma obra vizinha e arremessou-os contra a estrutura da loja, ameaçando de morte quem votou em Lula. Em outra cidade, escolas de dança infantis presentes em uma lista de boicote foram forçadas a contratar segurança particular às pressas para viabilizar apresentações com crianças diante do temor de atos extremistas.
Até as 11h30 de quinta-feira (29), o MPT já havia registrado 3.465 denúncias de assédio eleitoral em todo o país. Deste total, 297 são do interior de São Paulo. No mesmo dia à noite, o MPT conseguiu na Justiça que a Meta removesse 15 postagens incentivando a demissão de trabalhadores por ideologia política. Um dos perfis afetados é de um deputado estadual eleito por São Paulo, do Progressistas, que publicou vídeo gargalhando em reação à gravação de uma mulher chorando porque o marido perdeu o emprego.
Demétrio Vecchioli
METRÓPOLES
