PF investiga se dinheiro de filme sobre Jair Bolsonaro financiou mansão de Eduardo nos EUA

17/05/2026 05h51 - Atualizado há 4 horas

Suspeita é de que fundo administrado por advogado da família tenha sido usado para burlar bloqueios judiciais do STF

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Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) investiga se uma complexa estrutura financeira montada no estado do Texas, nos Estados Unidos, foi utilizada para lavar dinheiro e burlar bloqueios judiciais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, neste sábado (16).

O foco das investigações é a compra de uma residência em Arlington, no Texas, no valor de R$ 3,6 milhões, realizada em fevereiro pelo Mercury Legacy Trust. O fundo privado é controlado por Paulo Calixto, advogado migratório e de negócios de Eduardo Bolsonaro em solo estadunidense. O Texas é o mesmo estado onde o filho do ex-presidente reside atualmente.

Triangulação com o Banco Master

Calixto também administra o Havengate Development Fund, entidade que recebeu parte dos R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre fevereiro e maio de 2025. As transferências foram feitas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações.

A captação desses milhões foi intermediada diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, sob a justificativa de que os valores seriam integralmente aplicados na produção cinematográfica. Mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil mostram que Flávio chegou a cobrar Vorcaro por parcelas atrasadas em novembro do ano passado, um dia antes de o banqueiro ser preso.

A PF desconfia que o argumento do filme serviu de fachada e que parte do montante milionário foi desviada para blindar o patrimônio de Eduardo Bolsonaro e subsidiar sua permanência nos EUA longe do alcance da Justiça brasileira.

Além do advogado Paulo Calixto, os documentos de compra do imóvel no Texas trazem o nome de André Porciuncula, ex-policial militar e ex-braço direito de Mario Frias na Secretaria Especial da Cultura durante o governo Bolsonaro. Frias é apontado como o idealizador do filme.

Aliados de Eduardo Bolsonaro apontam Porciuncula como o principal “operador” das atividades e da logística do ex-deputado nos Estados Unidos.

Outro lado

Ao jornal Folha de S. Paulo, o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado os recursos ao dono do Banco Master, mas negou que o dinheiro tenha sustentado o irmão no exterior.

Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para classificar a investigação da PF como “tola”. O ex-parlamentar argumentou que suas regras de visto e o status migratório não permitiriam o recebimento de valores de fundos de investimento. Ele defendeu a idoneidade de Paulo Calixto e afirmou que apenas apresentou o advogado a Mario Frias para ajudar na captação do filme, cuja produção é estadunidense para evitar “perseguição política” no Brasil.

André Porciuncula afirmou por mensagens que a casa em Arlington não tem vínculo com Eduardo Bolsonaro ou com o Banco Master. Ao ser questionado sobre quem seria o real beneficiário do imóvel de R$ 3,6 milhões, Porciuncula declarou que a informação “não é de interesse público.”

Editado por: Rodrigo Chagas

BRASIL DE FATO