Mesmo foragido nos EUA, Ramagem usou cota para impulsionar redes

14/01/2026 05h08 - Atualizado há 2 horas

Conforme dados público da Câmara dos Deputados, foi gasto um total de R$ 10.175,42. O valor foi reembolsado integralmente

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Rafaela Felicciano/Metrópoles

O deputado cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ) usou a cota parlamentar para pagar por divulgação publicitária nas redes sociais após ter fugido para os Estados Unidos (EUA). Ele é considerado foragido da Justiça brasileira após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos e 1 mês de reclusão por participação na tentativa de golpe de Estado.

Conforme dados públicos da Câmara dos Deputados, Ramagem gastou um total de R$ 10.175,42 para impulsionar publicações no Facebook e Instagram. O valor foi reembolsado integralmente, dentro da cota parlamentar que cada deputado tem direito. As datas são referentes a outubro de 2025. Nesta época, Ramagem já tinha fugido para os EUA, no início de setembro, antes mesmo de ser condenado pelo STF.

As datas são referentes a 14 e 15 de outubro e 2 de novembro.

A cota parlamentar é um valor pago pelo Legislativo para cobrir despesas dos deputados e senadores no exercício do mandato, como passagens, aluguel de escritórios, comunicação e combustível. O recurso existe para viabilizar a atuação dos parlamentares e seu uso é regulamentado e fiscalizado pelos órgãos competentes.

O Metrópoles tentou contato com a assessoria e com a defesa do ex-deputado, mas ambos afirmaram que não tratam de assuntos parlamentares ligados a Ramagem. A reportagem também contatou a assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados, mas não teve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.

Fuga e cassação

Ramagem foi cassado do cargo de deputado federal por ter sido condenado pela Suprema Corte, com trânsito em julgado. Ele deixou o país de forma clandestina. Foi do Rio de Janeiro rumo a Boa Vista (RR) em 9 de setembro.

A PF trabalha com duas hipóteses para a saída do parlamentar: fronteira com a Venezuela ou com a Guiana, ambas acessíveis por estrada a partir de Boa Vista. O deslocamento terrestre teria ocorrido em um carro alugado, veículo que está sendo rastreado para reconstrução do trajeto.

A suspeita é que Ramagem tenha cruzado a fronteira sem registro migratório, em pontos conhecidos pelo fluxo constante de veículos e pouca fiscalização, onde a circulação entre os países pode ocorrer sem barreiras formais.

Evellyn Paola

METRÓPOLES