Mendonça usou avião de ex-parceiro de negócios de Vorcaro em viagem a evento jurídico
E-mails indicam operação especial para desembarque do ministro em BH; gabinete afirma que logística ficou a cargo da organização
Documentos enviados à autoridade aeroportuária da Pampulha, em Belo Horizonte, mostram que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), viajou em agosto de 2025 em uma aeronave ligada à Cedro Aviações, empresa vinculada a um ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação foi publicada pela coluna de Daniela Lima, no UOL, nesta terça-feira (22).
Um e-mail enviado em 3 de agosto de 2025 por uma conta vinculada à Cedro Aviações avisava que, no dia seguinte, haveria o desembarque de uma autoridade e que seria necessário adotar um procedimento especial de vistoria e escolta por se tratar de uma figura de “relevância pública”.
O deslocamento ocorreu para a participação de Mendonça em um evento jurídico em Itabira, em Minas Gerais. Procurada, a assessoria do ministro afirmou que a viagem foi organizada pelos responsáveis pelo evento, patrocinado formalmente pela OAB mineira e por um sindicato.
“O ministro André Mendonça participou, a convite, de evento jurídico realizado em Itabira (MG), organizado pela Seccional da OAB de Itabira em conjunto com o Sindicato Metabase. A participação foi de natureza estritamente acadêmica e institucional, sem qualquer remuneração, cachê ou pagamento de honorários ao ministro”, informou o gabinete.
A assessoria também disse que Mendonça não teve participação na escolha dos fornecedores responsáveis pelo transporte. “Toda a logística de deslocamento ficou a cargo da organização do evento. O ministro não participou da definição, da escolha ou da contratação dos fornecedores envolvidos”, acrescentou o gabinete.
O caso surge em meio à repercussão do escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, que tem gerado questionamentos sobre relações empresariais e institucionais mantidas por figuras do Judiciário com pessoas e empresas próximas ao ex-banqueiro.
Segundo o material publicado pelo UOL, quando o escândalo Master veio à tona, o instituto ligado a Mendonça decidiu encerrar o contrato com a Cedro e deu início à devolução dos valores “emprestados”. Mais recentemente, o ministro também deixou sua participação na sociedade da entidade, o Iter.
Em manifestação anterior ao UOL, a Cedro negou que Vorcaro tivesse relação societária ou vínculo empresarial com seus negócios. A empresa afirmou que Vorcaro “jamais teve qualquer relação societária ou vínculo empresarial com os negócios da Cedro Participações ou de suas controladas”.
A Cedro também sustentou que a compra de participações em companhias de capital aberto não caracteriza sociedade comercial. “A aquisição de participações em companhias de capital aberto —das quais diversos fundos e instituições financeiras como BNDES, BDMG e outros também são acionistas— não configura sociedade comercial”, declarou a empresa.
Otávio Rosso
BRASIL 247
