Mais uma mentira: Flávio quer votar a favor do fim da escala 6×1, mas promete a empresários voltar atrás caso seja eleito

15/10/2026 05h53 - Atualizado há 56 minutos

Candidato do PL sinalizou a empresários que pretende negociar alterações na PEC após as eleições, apesar de anunciar publicamente apoio ao texto

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Crédito: Brasil 247 / Dall-E

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, mas, nos bastidores, sinalizou a aliados e empresários que pretende rever pontos do texto caso seja eleito. As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e revelam uma diferença entre o compromisso público assumido pelo candidato e as negociações que ele estaria conduzindo reservadamente.

Segundo a coluna, a sinalização ocorreu em meio à pressão de representantes do setor empresarial, contrários à aprovação da proposta em sua forma atual. Flávio teria procurado tranquilizar esses interlocutores, indicando que eventuais mudanças poderiam ser discutidas no Congresso Nacional depois da eleição presidencial.

Compromisso público e negociações reservadas

A posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 passou a receber maior atenção depois que apoiadores do governo Lula cobraram, nas redes sociais, uma manifestação explícita do candidato.

A 12 dias do segundo turno, o senador anunciou que apoiaria a PEC.

Entretanto, conforme relatou o Painel, Flávio também sinalizou a aliados e empresários que uma eventual vitória eleitoral abriria espaço para rever dispositivos da proposta.

A diferença entre as duas posições levanta uma questão sobre o alcance de seu compromisso: apoiar a votação da PEC significa defender integralmente o texto atual ou admitir alterações posteriores que modifiquem seus efeitos para trabalhadores e empregadores?

A reportagem não identifica quais dispositivos seriam modificados, nem apresenta declarações diretas do candidato sobre as conversas reservadas.

Empresários pressionam por mudanças

De acordo com a coluna, representantes empresariais vinham pressionando senadores a votar contra a proposta de redução da jornada de trabalho.

Nesse contexto, a sinalização de Flávio Bolsonaro teria como objetivo reduzir a resistência desses setores à posição anunciada publicamente.

A alternativa discutida envolve a possibilidade de ampliar a negociação entre empregadores e empregados na definição das jornadas.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou uma proposta baseada em um regime mais flexível, no qual a organização do trabalho seria definida por horas negociadas entre empresas e trabalhadores.

A discussão envolve uma diferença importante entre reduzir a jornada semanal e permitir maior flexibilidade na distribuição das horas trabalhadas.

Os efeitos concretos sobre o descanso semanal e a carga horária dependerão, entretanto, da redação final da proposta.

Governo Lula busca aprovar PEC antes do segundo turno

O governo do presidente Lula trabalha para avançar na aprovação do fim da escala 6×1 antes da votação de 25 de outubro.

A proposta se tornou um dos temas da campanha presidencial, mobilizando debates sobre qualidade de vida, produtividade, custos empresariais e direitos trabalhistas.

A redução da jornada é defendida por seus apoiadores como uma forma de ampliar o tempo de descanso e melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Setores empresariais, por sua vez, manifestam preocupação com os custos e os impactos da mudança sobre diferentes atividades econômicas.

Nesse cenário, a posição de Flávio Bolsonaro passou a ser examinada tanto por representantes dos trabalhadores quanto por empresários interessados na definição das novas regras.

Mudanças ainda não foram detalhadas

Embora a coluna Painel relate a intenção de Flávio de discutir alterações na PEC depois das eleições, não há informações suficientes para determinar quais direitos seriam afetados ou se a mudança preservaria integralmente o objetivo de acabar com a escala 6×1.

Também não é possível concluir, apenas com base nas conversas relatadas, que o senador pretenda abandonar seu compromisso público.

O episódio evidencia, contudo, a necessidade de esclarecer quais dispositivos da proposta Flávio Bolsonaro efetivamente apoia e quais pretende renegociar caso chegue à Presidência da República.

Redação Brasil 247