Mais de 30 deputados argentinos assinam repúdio a insultos de Milei a Lula

29/07/2026 05h54 - Atualizado há 2 horas

Parte dos legisladores que apoiam o projeto de declaração atuaram como ministros de governos peronistas ou são sindicalistas

Cb image default
Presidente da Argentina, Javier Milei • 21/01/2026REUTERS/Denis Balibouse

Mais de 30 deputados argentinos assinaram, até a manhã desta terça-feira (28) um projeto legislativo de declaração de repúdio às falas de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

O texto, apresentado pelo deputado kirchnerista Jorge Taiana, expressa “enérgico repúdio aos episódios e às calúnias e injúrias violentas emitidas” por Milei contra Lula e Moraes, o que os congressistas consideram “uma grave afetação das relações diplomáticas bilaterais e da política exterior da nação (argentina)”.

O projeto ainda manifesta “profunda preocupação” por ingerência do presidente argentino nos assuntos internos e no processo político institucional brasileiro, “vulnerando os princípios fundamentais do direito internacional” e afirma que o episódio coloca em risco a convivência pacífica e os laços históricos de cooperação entre os países.

Até o momento, o projeto foi assinado por 33 deputados do peronismo e do progressismo argentino. Entre as assinaturas estão as dos ex-ministros da Educação, Nicolás Trotta, das Relações Exteriores, Santiago Cafiero, e da Defesa, Agustín Rossi. Todos atuaram durante o governo do ex-presidente Alberto Fernández.

Taiana, o autor do projeto, além de ministro da Defesa de Fernández das Relações Exteriores, atuou como chanceler dos governos de Néstor e Cristina Kirchner. Também assinam o projeto os sindicalistas Hugo Moyano e Hugo Yasky, e outros legisladores de siglas peronistas como o Partido Justicialista e a Frente Renovadora.

Os opositores afirmam que as assinaturas dão peso político para o projeto apresentado nesta segunda-feira (27), mas reconhecem que o texto não deve ser discutido em curto prazo pela Comissão das Relações Exteriores da Câmara, atualmente presidida pela deputada Juliana Santillán, do partido A Liberdade Avança, de Milei.

O projeto de declaração se soma a diversas mensagens de opositores manifestando preocupação pelos possíveis impactos da fala de Milei na relação com o Brasil, principal sócio comercial da Argentina.

Apesar da resposta diplomática brasileira aos insultos proferidos por Milei na Convenção Nacional do Partido Liberal em São Paulo, no último sábado (25), o presidente argentino continua difundindo, nas redes sociais, críticas a Lula, a Moraes e ao Judiciário brasileiro.

Luciana Taddeo, da CNN Brasil, Buenos Aires