Gleisi diz que Lula não deixou ‘Trump, milícias e mercado’ ditarem o rumo da campanha do PT, mas alerta contra fascismo
‘Grandes empresários egoístas perderam’, afirmou a deputada, que também deu avisos ao campo progressista. ‘O bolsonarismo não dará trégua’
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) destacou nesta segunda-feira (26) que a vitória do presidente Lula significou uma articulação eficaz do campo progressista brasileiro para barrar as tentativas de interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O presidente Donald Trump “não ganhou”, afirmou a petista na rede social X. “As milícias perderam, o crime organizado perdeu, o mercado não ditou o rumo, os grandes empresários egoístas perderam”, acrescentou a parlamentar, que também alertou contra a extrema direita. “O bolsonarismo, face brasileira do fascismo, não dará trégua e vai tentar impor seu projeto.”
Após o presidente Lula (PT) vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno por 51% (64 milhões) a 48% (59 milhões) dos votos, a parlamentar defendeu a necessidade de contínua fiscalização no ambiente digital para não deixar grandes empresas influenciarem cada vez mais uma determinada eleição e, por consequência, violar a soberania nacional. “A Meta não levou! Tentou, mas não levou!”, continuou Gleisi sobre a gigante de tecnologia sediada nos EUA.
De acordo com a parlamentar, “a democracia ganhou, a soberania e os programas que ajudam o povo ganharam”. “Esse movimento potente construído no segundo turno não pode parar”, analisou.
“Lula terá que governar com participação popular constante para enfrentar a extrema direita, que vai atuar forte pra desestabilizar e impor sua força no Congresso Nacional. Terá de ser um governo muito diferente, de resistência e enfrentamento para defender a democracia e os direitos populares”, complementou a deputada.
Em seu comentário, Gleisi afirmou que o campo progressista não pode relaxar. “Temos a obrigação histórica de barrar o retrocesso, e isso só será possível com muita mobilização popular.”
A deputada deu algumas felicitações. “Parabéns @LulaOficial! Parabéns ao campo democrático e progressista que se mobilizou e foi à luta. Parabéns @AndreJanonesMG, que organizou nosso exército nas redes sociais, potencializando nossa atuação. Parabéns a todos(as) que foram às ruas, que pediram e viraram votos! Principalmente os jovens, os estudantes deste país!”
Golpismo
As preocupações manifestadas por representantes do campo progressista brasileiro diante da possibilidade de novos ataques à democracia se apoiavam em acontecimentos que provocaram a atuação da Justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 28 réus pela participação na trama golpista. A Corte também aplicou condenações a mais de 1,4 mil pessoas por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes atacaram as sedes dos Três Poderes.
O pleito presidencial de 2022 também entrou no centro de apurações sobre possíveis tentativas de comprometer o exercício do voto. Naquele ano, sob o governo Bolsonaro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou as fiscalizações no Nordeste, principal reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A distribuição dessas operações despertou suspeitas de que a corporação pretendia criar obstáculos à chegada de eleitores às seções eleitorais.
A investigação sobre a atuação da PRF teve um desdobramento em setembro de 2026. O ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF, arquivou o procedimento contra três ex-diretores da instituição que respondiam a suspeitas de tentar impedir ou retardar o transporte de votantes em 2022. A medida acompanhou a avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou insuficientes os elementos disponíveis para formular uma acusação criminal contra os antigos dirigentes.
Nos EUA também houve golpismo nos últimos anos. E uma das estratégias da extrema direita é tentar transmitir para a população a mensagem de que o Judiciário atrapalha o governo. Em 2021, apoiadores de Donald Trump (Partido Republicano) invadiram o Legislativo estadunidense e, mesmo sem provas, acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento após o político da extrema direita perder a eleição para Joe Biden (Partido Democrata).
Cinco anos depois do ato golpista nos EUA, o bolsonarismo preservou uma linha de confronto com o Judiciário. As críticas às instituições passaram a alimentar uma narrativa que apresentava a Justiça brasileira como um poder influenciado por disputas políticas, marcado por deficiências e contrário aos interesses da extrema direita.
Essa contestação também alcançou a segurança das eleições. Em uma reunião com diplomatas realizada em Brasília (DF), no dia 21 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro levantou questionamentos sobre a credibilidade das urnas eletrônicas brasileiras. O parlamentar associou os equipamentos empregados no país à fabricante Smartmatic, alegando que possuíam a mesma origem.
O senador fundamentou sua argumentação em um documento que atribuiu à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). Segundo sua exposição, o material apontaria a participação da Smartmatic em uma suposta operação de fraude eleitoral conduzida pelo governo venezuelano durante a votação de 2012.
“Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa. Há denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Leonardo Lucena
BRASIL 247
