Ex-agente da CIA afirma que agência pode interferir a favor de Flávio Bolsonaro na eleição
John Kiriakou disse ter “evidências críveis” de envolvimento da inteligência dos EUA, mas não apresentou provas concretas
O ex-agente da CIA John Kiriakou afirmou que a agência de inteligência dos Estados Unidos pode estar intervindo nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro (PL). Em publicação divulgada nesta segunda-feira (5), ele disse haver “evidências críveis de que a CIA está envolvida”, mas não apresentou provas concretas para sustentar a acusação.
Kiriakou também corrigiu uma declaração anterior na qual havia afirmado ter conversado com Bolsonaro três anos antes. Segundo ele, a conversa ocorreu, na realidade, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Correção aqui: minha conversa foi com LULA, não com Bolsonaro”, escreveu o ex-integrante da CIA no X. Na mesma publicação, acrescentou: “Para esclarecer, a CIA está potencialmente intervindo em nome de Bolsonaro, não de Lula”.
Antes da correção, Kiriakou havia dito que subestimou “o poder do populismo nesta corrida atual” e afirmado que o candidato ao qual se referia “vai perder”. Na sequência, declarou acreditar na existência de elementos que apontariam para envolvimento da inteligência americana.
A afirmação sobre uma possível interferência da CIA foi apresentada como uma avaliação do próprio Kiriakou. O ex-agente não divulgou documentos, registros ou outras evidências que comprovassem a atuação da agência no processo eleitoral brasileiro.
Kiriakou trabalhou na CIA por cerca de 15 anos e ganhou projeção pública em 2007 ao revelar práticas de tortura utilizadas pela agência durante interrogatórios.
Em 2013, ele foi condenado a 30 meses de prisão após ser processado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por revelar o nome de um integrante da CIA durante a divulgação de informações sobre os métodos de interrogatório da agência.
Luis Mauro Filho
BRASIL 247
