Dino abre investigação sobre suposto envio de emendas a filme de Bolsonaro

16/05/2026 05h56 - Atualizado há 7 horas

Processo deverá tramitar sob sigilo, segundo a decisão do ministro do STF

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Divulgação

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu nesta sexta-feira (15) abrir um processo para investigar supostos direcionamentos de emendas parlamentares para projetos culturais, entre eles, o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a decisão, a nova investigação deverá tramitar sob sigilo.

No início deste ano, a deputada federal Tabata Amaral enviou denúncia ao STF, alegando que emendas parlamentares poderiam estar sendo usadas para marketing eleitoral e para financiar o filme sobre o ex-presidente.

Segundo a deputada, existe um grupo de empresas que, embora tenham nomes diferentes, funcionam como uma única organização, compartilhando o mesmo endereço, a mesma infrasterutura e a mesma dona. Ela afirma que um grupo de deputados do PL teria enviado R$ 2,6 milhões por meio de "emendas pix" a uma dessas empresas e, em seguida, contratado serviços de marketing eleitoral de outras companhias pertencentes ao mesmo grupo.

Entre os parlamentares citados como autores dessas emendas estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollonio. Mário Frias também teria feito aportes a uma outra empresa do grupo e, depois, contratado serviços de campanha eleitoral de outra companhia relacionada.

Além disso, a denúncia levanta a suspeita de que o lucro obtido com as emendas estaria sendo desviado para financiar a produção de um filme privado chamado "Dark Horse", que é uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Tabata, a produtora do filme está ligada à teia de empresas que receberam as emendas.

"Tais fatos configuram, em tese, um duto de recursos que desafia as diretrizes de transparência e publicidade estabelecidas por este Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 854, exigindo rigorosa fiscalização para impedir o desvio de finalidade e a confusão entre o erário e interesses privados ou eleitorais", argumenta a deputada.

Além da advocacia da Câmara, Dino pediu a manifestação dos deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Ramagem e Zambelli perderam o mandato no ano passado após condenações criminais e fugiram para fora do país.

A CNN entrou em contato com os deputados citados e aguarda resposta. Até o momento, a deputada Bia Kicis foi a única a se manifestar. Ela afirmou desconhecer as acusações. O espaço segue em aberto para as outras manifestações.

Gabriela Boechat, da CNN Brasil