Deputada do PSOL recebe ameaças de morte de bolsonarista e grupo extremista

30/01/2026 05h17 - Atualizado há 1 dia

Deputada estadual Renata Souza (PSol-RJ) acionou a ONU e a OEA após receber ameaças de morte

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Flickr / Renata Souza

A deputada estadual Renata Souza (PSol-RJ) acionou a ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), após relatar o recebimento de ameaças de morte sucessivas, com conteúdo racista, LGBTfóbico e de intolerância religiosa. As petições foram protocoladas em 22 de janeiro de 2026 e descrevem dois episódios ocorridos no intervalo de uma semana.

Segundo a deputada e as entidades que subscrevem a comunicação — Justiça Global, Instituto Marielle Franco e Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos —, a primeira ameaça foi recebida em 11 de janeiro de 2026, por meio do email institucional da parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Na mensagem, o remetente afirma vigiar a parlamentar virtualmente e fora da internet, impõe um prazo para que ela deixe o partido e faz ameaças diretas de morte.

“Eu estou te observando não só pela internet. Te monitoro pelas ruas. Irei te dar 3 dias para sair do PSol até você aparecer morta”, diz o texto. O autor também escreve que pretende cometer ataques contra terceiros e encerra a mensagem com a expressão “#Bolsonaro2026”.

Diante do conteúdo, Renata Souza registrou um Registro de Ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), comunicou a Alerj e acionou o Programa de Proteção a Defensores e Defensoras de Direitos Humanos.

Uma semana depois, em 18 de janeiro de 2026, a deputada voltou a ser alvo de ameaças. De acordo com os informes, a nova mensagem foi enviada não apenas a Renata Souza, mas também a e-mails pessoais e de integrantes de sua equipe. O texto é assinado por um suposto grupo anitcomunista denominado “Ordem Secreta dos Primadistas”e descreve a intenção de realizar agressões físicas e ir até a residência da parlamentar.

O segundo episódio também foi registrado na DECRADI, sob novo boletim de ocorrência, e novamente comunicado à Assembleia Legislativa e ao programa federal de proteção.

“Violência política de gênero e raça”

Ao acionar a ONU e a CIDH, Renata Souza afirma que as ameaças se inserem em um contexto de violência política de gênero e raça, direcionada à sua atuação como parlamentar. Ela relata preocupação com sua segurança pessoal e com o impacto que discursos de ódio podem ter sobre pessoas que compartilham posições contrárias à presença de mulheres, especialmente mulheres negras, em espaços de poder.

“Os atos de excluir, intimidar, deslegitimar ou ainda silenciar a atuação de mulheres na política têm sido utilizados para descrever a violência política de gênero e raça”, escreveu a deputada.

No pedido encaminhado à Comissão, a parlamentar solicita que a OEA requisite informações ao Estado brasileiro, cobre uma investigação célere, diligente e imparcial sobre os fatos e recomenda a adoção de medidas protetivas, para que ela possa continuar exercendo seu mandato em seu território.

Paulo Cappelli, Felipe Salgado

METRÓPOLES