Datafolha: 37% defendem afastar Mendonça e 34%, Moraes

14/09/2026 05h37 - Atualizado há 57 minutos

Caso Master expõe fissuras no STF e já contamina o ambiente da campanha presidencial

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Crédito: Antonio Augusto/STF

A crise aberta no Supremo Tribunal Federal em torno do caso Banco Master já produz desgaste público para os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que passaram a ocupar lados opostos no embate envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a condução de investigações relacionadas ao caso.

Pesquisa Datafolha aponta que 34% dos brasileiros defendem o afastamento temporário de Moraes, enquanto 28% afirmam que o ministro deveria responder a um processo de impeachment. Em relação a Mendonça, 37% apoiam o afastamento temporário e 12% defendem o impeachment. As informações são da Folha de São Paulo.

Pressão sobre os ministros

O levantamento foi feito entre terça-feira (8) e quinta-feira (10), com 2.002 pessoas em 125 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Encomendada pela Folha e pela TV Globo, a pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.

Os números mostram que a percepção sobre a atuação dos ministros varia de acordo com o alinhamento político dos entrevistados. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 50% defendem o impeachment de Moraes. Entre apoiadores do presidente Lula (PT), esse índice cai para 9%. No caso de Mendonça, 49% dos eleitores de Lula defendem seu afastamento temporário, enquanto 23% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro concordam com essa medida.

Ainda de acordo com a pesquisa, 7% dos entrevistados afirmam não ver irregularidade na atuação de Moraes. Outros 5% dizem que não há problema porque a apuração de provas feita por Mendonça teria sido ilegal. Já 13% defendem a renúncia de Moraes. No caso de Mendonça, 25% afirmam que ele não cometeu ilegalidade, e 11% defendem sua renúncia.

Embate no caso Banco Master

A crise ganhou força depois que Mendonça revelou um relatório sigiloso com informações sobre relações atribuídas a Moraes e Daniel Vorcaro, incluindo o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo ex-banqueiro com o escritório da mulher do ministro.

Também vieram à tona mensagens em que Vorcaro questionava Moraes sobre a possibilidade de deixar o país para escapar da prisão. Segundo o relato publicado, Vorcaro não fugiu e acabou preso sob acusação de comandar a maior fraude bancária da história brasileira. Não se sabe qual teria sido a resposta de Moraes.

Após a divulgação do material, Moraes pediu uma apuração sobre a legalidade das ações de Mendonça. Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do chefe da inteligência do órgão, apontando suspeita de conluio com Moraes.

Crise chega à disputa presidencial

O embate no Supremo rapidamente ultrapassou os limites do Judiciário e passou a interferir no ambiente político-eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece no cenário presidencial, passou a apoiar Mendonça, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.

O senador também passou a associar Moraes ao presidente Lula, adversário político na disputa pelo Palácio do Planalto. A movimentação ocorre em um contexto de forte tensão política, já que Jair Bolsonaro está preso em julgamento conduzido por Moraes.

A pesquisa do Datafolha captou parte desse ambiente de polarização, mas não registrou todos os capítulos mais recentes da crise, uma vez que fatos relevantes ocorreram no último dia de campo e também na sexta-feira (11).

Fachin tenta conter a escalada

Diante da disputa entre os ministros, o presidente do STF, Edson Fachin, tentou conter a escalada ao suspender medidas adotadas pelos dois lados. A iniciativa, porém, não foi suficiente para estabilizar o ambiente dentro e fora da Corte.

Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino, aliado de Moraes, autorizou uma operação policial que recolocou em evidência o caso “Dark Horse”, filme descrito como uma cinebiografia elogiosa de Jair Bolsonaro.

A produção teria sido financiada com dinheiro de Daniel Vorcaro. Uma conversa entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro, na qual o senador cobrava recursos, foi revelada pelo site The Intercept.

Novos capítulos no Supremo

Fachin também determinou o fim do sigilo sobre o caso Banco Master. Mendonça, no entanto, inicialmente promoveu uma abertura seletiva das informações, sendo obrigado depois a garantir transparência integral sobre o material. O caso, que começou como uma disputa sobre a legalidade

Paulo Emílio

BRASIL 247