Dark Horse: liquidante do Master desmente versão de Flávio Bolsonaro sobre financiamento de filme

18/10/2026 05h34 - Atualizado há 1 hora

Responsável pela liquidação do banco afirma não ter encontrado registros de patrocínio a Dark Horse, enquanto a PF investiga repasses milionários ligados a Daniel Vorcaro

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Cartaz do filme Dark Horse- Jair Bolsonaro-Flávio Bolsonaro-Daniel Vorcaro

Crédito: Dark Horse-Flávio Bolsonaro-Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação/Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Flávio Bolsonaro/Adriano Machado/Reuters/Daniel Vorcaro/Reprodução/ Montagem/IA Dall-e)

A empresa responsável pela liquidação do Banco Master informou à Câmara dos Deputados que não encontrou documentos, contratos ou registros contábeis que comprovem o patrocínio da instituição financeira ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração coloca em xeque a versão apresentada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que classificou os recursos negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro como um patrocínio cinematográfico.

Segundo O Globo, a informação foi encaminhada ao Legislativo pela EPB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação do banco, em resposta a um requerimento apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). A manifestação ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a produção.

Liquidante não encontrou contratos ou registros de patrocínio

O parecer encaminhado à Câmara, assinado por Eduardo Felix Bianchin, responsável pela massa em liquidação, afirma que a análise dos documentos disponíveis não identificou operações relacionadas ao financiamento do longa-metragem.

“Após consulta aos acervos das instituições representadas, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratuais que evidenciem a realização de operações destinadas ao financiamento, patrocínio ou aporte de recursos para a produção cinematográfica mencionada, seja diretamente pelas instituições liquidandas, seja por intermédio de terceiros, nos limites das informações examinadas”.

A manifestação contrasta com a explicação apresentada por Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no primeiro turno da eleição presidencial. Ao comentar as negociações envolvendo Vorcaro, o senador afirmou:

“Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro.”

A ausência de registros identificados pela liquidante, entretanto, não significa necessariamente que não tenham ocorrido transferências por meio de outras empresas ou estruturas financeiras. O documento delimita suas conclusões às informações examinadas nos acervos das instituições sob liquidação.

Flávio foi questionado sobre diferença de R$ 59 milhões

Na sexta-feira (16), durante sabatina do Jornal Nacional no segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro voltou a ser questionado sobre o financiamento de Dark Horse.

Desta vez, a entrevista abordou a diferença entre os aproximadamente R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro para viabilizar a produção e os R$ 75 milhões apontados como custo do filme.

A diferença entre os dois valores chega a R$ 59 milhões.

Em sua resposta, o candidato afirmou que o contrato inicialmente negociado não foi integralmente cumprido. Segundo sua explicação, os recursos efetivamente recebidos de Vorcaro, somados aos aportes de outros investidores, permitiram concluir a produção cinematográfica.

A justificativa, contudo, não esclarece documentalmente a destinação da totalidade dos valores originalmente negociados.

PF investiga envio de US$ 12,3 milhões ao exterior

A Polícia Federal apura suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa relacionadas à estrutura de financiamento do filme.

De acordo com as informações da investigação citadas pela reportagem, Daniel Vorcaro teria assumido o compromisso de destinar aproximadamente R$ 134 milhões à produção.

Desse montante, cerca de US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente transferidos para o exterior por meio de uma estrutura financeira diferente de um patrocínio direto do Banco Master.

As operações envolveram a Entre Investimentos e Participações, empresa utilizada por Vorcaro, e o fundo norte-americano Havengate Development Fund LP.

Segundo Flávio Bolsonaro e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o fundo teria sido constituído para financiar o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.

As suspeitas investigadas pela PF ainda dependem de esclarecimento quanto à origem, à movimentação e à destinação dos recursos. A existência da investigação não representa, por si só, comprovação dos crimes apurados.

Liquidante também não identificou operações com fundo americano

Além de não localizar registros de patrocínio à produção cinematográfica, a EPB Regimes Especiais de Empresas informou que não encontrou documentação referente a operações das instituições liquidadas com o Havengate Development Fund LP relacionadas ao filme.

O parecer registra:

“De igual modo, não foram localizados registros ou documentos que demonstrem eventuais operações das instituições representadas com o mencionado Havengate Development Fund LP, que possam estar relacionadas à referida produção cinematográfica”.

A declaração acrescenta um elemento à apuração sobre o percurso dos recursos associados ao projeto cinematográfico.

Embora a investigação policial tenha identificado transferências internacionais relacionadas à estrutura financeira utilizada por Vorcaro, a documentação examinada pela liquidante não permitiu estabelecer uma operação correspondente nos registros do Banco Master.

Paulo Emílio

BRASIL 247