Cresce a associação entre o escândalo Master e o clã Bolsonaro; campanha de Lula comemora

23/09/2026 05h39 - Atualizado há 2 horas

Levantamento aponta que parcela da população que vincula os Bolsonaro à crise subiu para 21%, enquanto percepção de desgaste generalizado recuou

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Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil | Carlos Moura/Agência Senado | Reprodução/Instagram/@danielvorcarobr | Brasil 247/DALL-E

 O avanço na percepção pública sobre a ligação entre o clã Bolsonaro e o escândalo envolvendo o Banco Master foi recebido com entusiasmo pelos estrategistas da campanha de reeleição do presidente Lula (PT), informa Jussara Soares, da CNN Brasil.

Levantamento feito pela pesquisa Quaest, divulgado na segunda-feira (21), revela que o percentual de eleitores que considera os Bolsonaro diretamente afetados pelos desdobramentos da crise financeira saltou de 15% para 21% no período de apenas uma semana.

Paralelamente à maior incriminação reputacional da família Bolsonaro, registrou-se uma queda expressiva no contingente de entrevistados que enxergava o escândalo como uma mancha difusa sobre o sistema político. O grupo que entendia que o episódio atingia todos os agentes e instituições de forma indistinta caiu de 46% para 37%.

Para integrantes do núcleo da campanha petista, a oscilação nos dados demonstra que o eleitorado começou a depurar os fatos e a diferenciar os níveis de envolvimento dos nomes citados nas investigações relacionadas às ações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O desgaste apurado não incide com a mesma intensidade sobre outros polos do espectro político ou instituições. As menções negativas ao Supremo Tribunal Federal (STF) variaram dentro da margem de erro, passando de 17% para 16%. Já as citações referentes ao governo Lula e aos integrantes do PT registraram uma leve oscilação, movendo-se de 9% para 11%.

A mudança na sensibilidade da opinião pública coincide diretamente com a intensificação da ofensiva política e de comunicação do PT no primeiro turno. A estratégia tem focado no fato de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) figura como o único postulante à Presidência da República formalmente investigado no âmbito das irregularidades da instituição financeira.

Flávio é o foco de um inquérito policial que apura repasses financeiros do Banco Master destinados à produção do filme “Dark Horse”, obra audiovisual que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). A investigação busca apurar a eventual prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega a prática de qualquer ilegalidade.

Diante da transição na percepção popular — que deixa de ver o caso como um desgaste generalizado para associá-lo progressivamente ao clã adversário —, a equipe do presidente Lula planeja aprofundar a exploração política da proximidade entre o senador e o ex-banqueiro Vorcaro. A abordagem eleitoral pretende acentuar o contraste ético e de postura entre as duas candidaturas principais: Lula será posicionado como o garantidor do rigor das apurações contra qualquer suspeito, sem distinção de laços políticos ou institucionais, ao passo que Flávio Bolsonaro ocupará o posto de investigado pela Justiça.

Apesar do deslocamento de imagem, os dados da Quaest evidenciam um cenário de acentuada cristalização eleitoral, em que a crise atua mais na consolidação de convicções prévias do que na migração direta de votos. Para 62% dos eleitores ouvidos, os fatos sobre o Banco Master não alteram a decisão quanto à escolha do próximo presidente. Por sua vez, 26% responderam que os acontecimentos reforçam a opção que já havia sido tomada, e uma fatia restrita de 7% admitiu que o episódio pode levá-la a mudar de candidato.

A polarização do cenário político nacional reflete-se de forma nítida na distribuição de culpa atribuída pelos eleitores de cada campo. No grupo de eleitores favoráveis a Lula, 46% cravam que o escândalo afeta negativamente a família Bolsonaro. No segmento alinhado ao bolsonarismo, a reação aponta em sentido oposto: 37% sustentam que os impactos recaem sobre o governo Lula e 22% direcionam os prejuízos ao STF.

A pesquisa Quaest foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo. O levantamento realizou 2.004 entrevistas pessoais com eleitores de todo o país entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um intervalo de confiança de 95%.

Guilherme Levorato

BRASIL 247