Caso Dark Horse volta a elevar temor em aliados de Flávio com STF e PF

11/09/2026 05h59 - Atualizado há 1 hora

Preocupação aumentou após Flávio Dino usar investigação em decisão sobre cúpula da PF. Senador vem repetindo que teme "terceira facada"

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Samuel Pancher / Metrópoles

Aliados do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, temem que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e ações da Polícia Federal atinjam o senador antes do primeiro turno.

A preocupação aumentou nessa quarta-feira (9/9), depois que o ministro Flávio Dino citou a investigação sobre o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), ao determinar a volta de Andrei Rodrigues ao comando da PF.

Horas depois, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu a decisão de Dino e afirmou que caberá à presidência da Corte, posteriormente, avaliar a permanência de Andrei no cargo.

Pessoas próximas a Flávio Bolsonaro dizem que o receio envolve possíveis vazamentos, operações ou decisões relacionadas às investigações sobre a obra, mas não apenas em relação ao filme.

O próprio candidato já vinha falando publicamente sobre a possibilidade de ser alvo de alguma medida antes da eleição.

No ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, Flávio afirmou que seus adversários tentariam dar uma “terceira facada” contra ele e seus aliados. Dias antes, o senador também havia levantado suspeitas sobre uma possível reação dentro do Supremo.

Em uma publicação nas redes sociais, Flávio afirmou, sem apresentar provas, que Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teriam conversado com Dino sobre alguma ação contra ele. Segundo o candidato, a iniciativa teria como objetivo reagir a decisões de André Mendonça e desgastá-lo durante a campanha.

Mendonça é relator do caso Master e de uma das investigações sobre o Dark Horse. Foi ele quem determinou, na terça-feira (8/9), o afastamento de Andrei do comando da PF. O ministro, que foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, tem recebido manifestações de apoio do bolsonarismo, em razão da crise enfrentada por ele contra Moraes.

Preocupação crescente

A preocupação entre os aliados, que já existia desde a pré-campanha, voltou a crescer nesta quarta. Ao justificar a reintegração de Andrei, Flávio Dino citou investigações que poderiam ser prejudicadas pela troca na direção da corporação.

Entre elas está o inquérito, relatado pelo próprio ministro, que apura uma possível destinação irregular de emendas para a produtora responsável pelo Dark Horse.

Em outro desdobramento do caso, também nesta quarta, André Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

Dono da Entre Investimentos e Participações, ele participou de transferências de dinheiro para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e utilizado para custear gastos da produção.

Freixo afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que fez sete transferências ao fundo, que somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões, a pedido do então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele disse que não sabia que o dinheiro seria usado na produção do longa.

O que a PF busca esclarecer no Dark Horse

Investigadores apuram os repasses feitos por Daniel Vorcaro para financiar o filme a pedido de Flávio Bolsonaro e desvendar se houve, por exemplo, alguma contrapartida pelo dinheiro — o que o senador nega.

Também está na mira da Polícia Federal a possível utilização do dinheiro para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Outra investigação mira emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF apura se esses recursos públicos foram usados na obra.

Financiamento

A busca de Flávio por dinheiro para financiar o filme em homenagem ao pai se tornou pública em maio. Áudios e mensagens apontam que o senador procurou Vorcaro para pedir recursos para o projeto.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirma que não administrava o dinheiro e diz que cabe à produtora Go Up Entertainment explicar os valores movimentados.

As investigações sobre o filme preocupam aliados num momento em que Flávio aumentou os ataques a Alexandre de Moraes e passou a tentar associar o ministro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde a divulgação de mensagens entre Moraes e Vorcaro, o candidato passou a usar o caso nos ataques aos dois. No 7 de Setembro e em declarações posteriores, afirmou que votar em Lula seria também votar no ministro do Supremo.

Aliados também acreditam que os ataques a Moraes podem ajudar Flávio a mobilizar eleitores bolsonaristas. Antes do ato na Avenida Paulista, integrantes da campanha reconheciam que o senador ainda não despertava entre os apoiadores o mesmo engajamento alcançado por Jair Bolsonaro.

Kevin Lima

METRÓPOLES