Bolsonarista chama estudante de "preto do caralho" após ele tentar ajudá-la

20/10/2026 05h19 - Atualizado há 1 hora

Mulher chamou estudante de "preto do caralho" durante cinco vezes em vídeo gravado por ele, que tentava ajudá-la

Cb image default
Reprodução

Uma mulher foi gravada neste domingo (19/10) em uma estação do metrô de São Paulo chamando cinco vezes um homem de “preto do caralho“. Na gravação, ela se diz bolsonarista.https://www.metropoles.com/colunas/demetrio-vecchioli/bolsonarista-chama-estudante-de-preto-do-caralho-apos-ele-tentar-ajuda-la

A ofensa pode configurar crime de injúria racial. A Lei 7.716/1989 prevê punição para quem injuria alguém em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional. Desde 2023, esse tipo de conduta passou a ser tratado pela legislação como crime de racismo.

O estudante de direito Márcio Ferreira, que gravou o vídeo, contou à coluna que a situação ocorreu por volta das 19h50 de domingo na estação Vila Sônia do Metrô, depois que ele tentou intervir a favor dela em uma discussão que havia iniciado em um vagão.

A mulher viajava junto da filha, uma estudante, e começou a discutir com três jovens que argumentavam que eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) seria ruim para a educação pública. Ela então se levantou e foi para cima deles, com ofensas homofóbicas.

Márcio, que não conhecia nenhum dos envolvidos, interveio para evitar um confronto físico, enquanto a filha da mulher chorava. “Quando falei de ela ser bolsonarista e eu defendê-la mesmo sendo contrário ao bolsonarismo, ela surtou e começou me xingar. Disse que xinguei ela de bolsonarista”, relata. Foi aí que teriam iniciado as ofensas racistas.

O vídeo publicado pelo estudante mostra a mulher chamando Márcio cinco vezes de “preto do caralho” e dizendo que é bolsonarista “graças a Deus”. “Eu sou brasileira”, ela afirma antes de falar mais quatro vezes: “Preto do caralho”. “Você é ridículo que nem eles. Seu hipócrita”.

Ele reage e chama a mulher de “racista de merda”, quando um segurança da concessionária Motiva intervém. A mulher então pede que Márcio seja preso por chamar ela de racista de merda e admite: “Eu falei que ele é um preto de bosta”. O segurança avisa: “Isso é racismo”.

“Mesmo sabendo que ela era bolsonarista eu tentei ajudar. Mas me arrependo amargamente”, disse ele à coluna. Márcio optou por não abrir boletim de ocorrência na mesma noite e disse ter sido acolhido pelos seguranças da concessionária Motiva.

A coluna perguntou à Motiva se a Polícia Militar foi chamada para que a mulher pudesse ser presa em flagrante, já que admitiu diante do segurança ter proferido ofensas racistas, mas não teve respostas até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Demétrio Vecchioli

METRÓPOLES