Após fala sobre urnas, presidente do PT avalia levar Flávio à Justiça

23/07/2026 05h32 - Atualizado há 1 hora

Flávio Bolsonaro questionou as urnas eletrônicas em reunião com embaixadores nessa terça-feira (21/7)

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Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu uma nota, nesta quarta-feira (22/7), onde afirma que a sigla avalia as medidas judiciais cabíveis contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) questionou a efetividade das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas nessa terça-feira (21/7), em Brasília (DF).

Em nota, Edinho afirma que na declaração Flávio provou ter a “mesma cultura golpista do pai” e segure os mesmo métodos de questionar as urnas utilizados nas eleições de 2022.

“O senador reuniu diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e, por consequência, o sistema eleitoral brasileiro, pelo qual ele foi eleito parlamentar por diversas vezes, bem como seus familiares”, diz Edinho.

O petista também destaca que a fala, na qual descreve como antidemocrática, pode ter resultado gravíssimo e associa com a tentativa de golpe de janeiro de 2023.

“Como provado na investigação e, posteriormente, no julgamento, da tentativa de golpe de janeiro de 23, tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia”, destacou.

Ele finaliza reforçando que as medidas cabíveis estão sendo avaliadas e dz que a sigla está ao “lado da democracia e em defesa das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro”.

Flávio questiona as urnas

O senador questionou a efetividade das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas nessa terça, em Brasília. Ele apresentou informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em anos anteriores.

Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012, conforme relatório da Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, divulgado nesta semana.

“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”, expôs.

Desmentido pelo TSE

O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu que utiliza urnas eletrônicas da empresa venezuelana. Em nota publicada em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026, o TSE esclareceu que as urnas não são fornecidas pela empresa.

“São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, diz o texto.

Flávio diz que não questionou

Após a repercussão do vídeo em que levanta suspeitas sobre a integridade das urnas eletrônicas, o senador Flávio Bolsonaro negou, por meio de nota, que tenha questionado a integridade do sistema eleitoral brasileiro, no qual diz ter “integral confiança”.

“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, diz trecho da nota.

No comunicado, o senador não explica a relação que fez entre as urnas utilizadas nas eleições brasileiras e as que foram contestadas na Venezuela.

Giovana Alves, Daniela Santos

METRÓPOLES