Acusada de fraude, OnilX pagou R$ 563 mil ao bolsonarista Paulo Guedes, ex-ministro de Bolsonaro

02/11/2026 01h45 - Atualizado há 1 hora

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes é investigado por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional Mateus Salomão, Tácio Lorran

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Reprodução/Flow Podcast

O ex-ministro Paulo Guedes recebeu R$ 563 mil da OnilX, empresa que é acusada de dar calote em dezenas de investidores. Como mostrou a coluna, a Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Documento a que a coluna teve acesso revela um pagamento de R$ 563,1 mil à PG&A Consulting LTDA, que tem no quadro societário Paulo Guedes, a esposa e a filha. A firma recebeu a quantia por meio de transferência PIX realizada pela conta da ActivosX Onil OTC LTDA — que tem como sócio-administrador Fábio Lino de Almeida — em 7 de julho deste ano.

A PF investiga Guedes por dar legitimidade às operações da OnilX. O ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro prestou consultoria à empresa, participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve sua imagem utilizada em materiais de divulgação.

A OnilX é acusada de dar calote em dezenas de investidores que aportaram seus recursos em criptomoedas diante da promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. Investidores alegam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins e, em alguns casos, levantam suspeitas de pirâmide financeira.

A OnilX ainda passou a enfrentar problemas regulatórios e judiciais. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, o colegiado da autarquia manteve a ordem, mas esclareceu que ela não alcançava a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

A relação com o ex-ministro chegou a aparecer em processos movidos por investidores. Segundo mensagens anexadas a uma ação, uma assessora da OnilX tentou convencer um potencial cliente a investir usando a participação de Paulo Guedes no negócio. Ela dizia que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.

A coluna identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.

O que diz a OnilX

Em nota, a OnilX afirma que Paulo Guedes atuou apenas como consultor da empresa, prestando serviços exclusivamente relacionados a temas de macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica nacional e internacional.

Veja íntegra da nota:

“A OnilX esclarece, a respeito das notícias recentemente divulgadas, que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes atuou apenas como consultor da empresa, prestando serviços exclusivamente relacionados a temas de macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica nacional e internacional.

Ressalte-se, inclusive, que Paulo Guedes prestou esclarecimentos a Polícia Federal na qualidade de testemunha, e não investigado, sobre os fatos.

Sua atuação teve natureza estritamente consultiva, circunscrita à sua reconhecida experiência profissional e acadêmica na área econômica.

A OnilX reafirma a legalidade de suas atividades e ressalta que tem colaborado, desde o início das investigações, se colocando, de forma proativa, à disposição das autoridades, bem como destaca que segue cumprindo com a execução do seu compromisso de pagamento de seus clientes.”

Mateus Salomão, Tácio Lorran

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