“A Paulista não é da direita, é do povo”, diz Lula em caminhada com Haddad em SP

04/10/2026 05h29 - Atualizado há 1 hora

Na véspera da votação, o presidente também pediu que militantes e apoiadores continuassem buscando votos até este domingo

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Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (3), durante seu último ato de campanha em São Paulo antes do primeiro turno, que a Avenida Paulista, lugar icônico das grandes manifestações políticas, Paulista não é da direita, é do povo

O presidente estava acompanhado por aliados como Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, além de uma multidão que lotou o local aos gritos de “democracia”.

“Vamos às urnas amanhã [domingo] com muita tranquilidade sabendo o que está em jogo. De um lado a democracia e a soberania, do outro lado a barbárie e a corrupção. Do outro lado nós estamos trabalhando com um chefe de quadrilha. Estamos trabalhando contra crime organizado. Por isso, nós vamos precisar da força de vocês”, afirmou Lula.

Na véspera da votação, o presidente também pediu que militantes e apoiadores continuassem buscando votos até este domingo (4).

“A partir dessa passeata ninguém descansa. É preciso conversar com as pessoas na rua, no bar, na igreja, no comércio para que a gente convença todo mundo a ir votar”, disse.

Ao longo do discurso, Lula voltou a apresentar a eleição como uma disputa entre projetos políticos opostos. O presidente associou seu campo à defesa da democracia e de direitos sociais e classificou o campo adversário como ligado à “barbárie”.

“De um lado está a democracia, aqueles que defendem os direitos humanos, educação, ciência e tecnologia, cidadania, e do outro lado está a barbárie”, declarou.

Lula também mencionou as investigações envolvendo irregularidades na Previdência Social e citou o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Essa é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada pelo Bolsonaro, que tornou o banqueiro prisioneiro, o [Daniel] Vorcaro. E eles estão com muito medo porque a cada dia aparece coisa nova”, afirmou.

Durante o ato deste sábado, Lula também afirmou que pretende promover uma “revolução educacional e tecnológica” caso seja reeleito.

Ao convocar eleitores para participar da votação, o presidente fez um apelo específico aos mais velhos e citou a própria idade.

“Precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles precisam votar pelos seus filhos, seus netos e seus bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15”, declarou.

Lula afirmou ainda esperar uma vitória no primeiro turno e pediu que apoiadores retornem à Avenida Paulista após o encerramento da votação.

Outro tema abordado no discurso foi o uso de cartões de crédito. O presidente voltou a criticar o envio de cartões por instituições financeiras sem solicitação dos clientes, após declarações anteriores sobre o tema gerarem reação da oposição.

Na sexta-feira (2), Lula havia escrito nas redes sociais: “Claro que sei da importância do crédito para a vida das famílias. Cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser”.

Na mesma publicação, acrescentou: “O que não aceito é que bancos enviem para a casa das pessoas sem que elas tenham solicitado. Vamos acabar com essa prática e com os juros abusivos no Brasil.”

Neste sábado, o presidente afirmou que suas declarações haviam sido distorcidas.

“O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. Quem quiser cartão de crédito que peça para o banco. O banco não pode ficar mandando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem”, disse.

Lula voltou a criticar os juros cobrados no cartão e defendeu mudanças na relação entre instituições financeiras e consumidores.

“Cartão de crédito é responsabilidade. Primeiro porque o juros do cartão de crédito é uma roubalheira. Por isso, no quarto mandato vamos moralizar essa coisa do crédito Brasil. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganhe dinheiro investindo na produção e não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis.”

Laís Gouveia

BRASIL 247