MS investiga segunda morte de criança por suspeita de participação no ‘desafio do desodorante’

23/07/2026 10h03 - Atualizado há 1 hora

Cerca de quatro meses depois, o assunto voltou à tona, desta vez, com a morte de um menino de oito anos

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Novamente, o “desafio do desodorante” voltou a ser debatido em Mato Grosso do Sul. Em março, uma menina de nove anos morreu após supostamente ter participado da “trend”. Cerca de quatro meses depois, o assunto voltou à tona, desta vez, com a morte de um menino de oito anos sendo investigada pelo mesmo motivo.

A “trend”, popularmente conhecida como “desafio do desodorante”, nada mais é do que uma batalha para ver quem consegue inalar a maior quantidade do produto em menor tempo. O desafio viralizou na internet, ficando popularizado entre as crianças e os adolescentes.

Em São Gabriel do Oeste, a Polícia Civil investiga se a causa da morte do menino está relacionada com a inalação do produto. Ele foi encontrado pela mãe, desacordado sobre uma cama, na terça-feira (21).

No entanto, o assunto também foi debatido em março. Isso porque, no dia 4 daquele mês, uma menina, de 9 anos, morreu após ser encontrada também desacordada em Campo Grande. Ela estava deitada de bruços, com um tubo de desodorante e os lábios roxos.

Visão distorcida

“Os desafios nas redes sociais fazem parte de uma cultura digital baseada em visibilidade e engajamento. Muitos começam como brincadeiras, mas alguns acabam incentivando comportamentos arriscados. Mesmo quando o conteúdo começa como uma brincadeira entre adultos ou adolescentes, ele pode ser interpretado pelas crianças como algo divertido e seguro”, explica a psicóloga Lariane Marques Pereira — CRP 14/06888-1.

Na visão da especialista, mestre em Saúde e Desenvolvimento, a fácil popularização desses conteúdos faz as crianças serem estimuladas sem refletir sobre as consequências, uma vez que tais conteúdos não são para elas. No entanto, chegam até as crianças “com muita facilidade nas redes sociais. Isso acontece porque os algoritmos das plataformas mostram conteúdos para um grande número de pessoas, independentemente da idade”, diz a psicóloga.

Apesar de a internet estar incluída no dia a dia das crianças, a psicóloga Lariane reforça a importância de os adultos estarem incluídos na rotina dos menores — isso porque a educação digital é uma parte fundamental da educação deles.

“A prevenção é possível e passa principalmente pela presença dos adultos na vida digital das crianças. Isso inclui acompanhar o que elas acessam, conversar sobre os conteúdos que aparecem nas redes e orientar sobre os riscos. A educação digital é hoje uma parte fundamental da educação das crianças”, pontua.

O diálogo e monitoramento ainda são das principais formas de cuidado. “A prevenção é possível e passa principalmente pela presença dos adultos na vida digital das crianças. Isso inclui acompanhar o que elas acessam, conversar sobre os conteúdos que aparecem nas redes e orientar sobre os riscos. A educação digital é hoje uma parte fundamental da educação das crianças”, conclui a especialista.

Layane Costa

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