Mesmo com advogado, Bernal debocha, faz a própria ‘defesa’ e juiz decreta prisão preventiva

25/03/2026 11h52 - Atualizado há 3 horas

Bernal deve retornar para o presídio Militar

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(Foto: Reprodução, Redes Sociais)

Alcides Bernal teve a prisão preventiva decretada na manhã desta quarta-feira (25) em audiência de custódia pela morte do servidor, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em meio a uma briga judicial pela casa em que Bernal morava, na Rua Antônio Maria Coelho. A audiência demorou cerca de 1 hora.

Segundo informações apuradas pelo Midiamax, Bernal estava trêmulo e debochado durante a audiência e teria tentado entrar no ‘mérito da prisão’, mas o magistrado rebateu fundamentando o ocorrido. Conforme informações, o ex-prefeito ficava balançando a cabeça em tom de deboche durante explanação do magistrado.

Ainda segundo informações, o magistrado teria ‘dado uma aula de direito’ para os advogados de Bernal. Mazzini foi assassinado com dois tiros, sendo um nas costas e outro no abdômen. Durante seu depoimento, o ex-prefeito disse que não tinha intenção de matar. “Foi tudo muito rápido, dei os tiros porque me senti acuado”, disse Bernal na delegacia.

Depoimento na delegacia

‘Era para ser na perna’, disse Alcides Bernal em depoimento gravado nesta terça-feira (24), em Campo Grande, após matar a tiros o servidor Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em meio a uma briga judicial pela casa em que Bernal morava, na Rua Antônio Maria Coelho.

Ainda em depoimento, o ex-prefeito falou que já haviam arrombado a casa dele por três vezes. Quando a empresa de monitoramento avisou, ele, que não estava em Campo Grande, ao chegar à cidade, foi direto para a residência, onde ainda morava e tinha um escritório.

Ao chegar à casa, Bernal falou que o portão estava arrombado e que um veículo estava na garagem. “Tinha três pessoas dentro da casa, e um deles veio para cima de mim”, disse o ex-prefeito.

Ainda segundo Bernal, “foi questão de segundos”, quando fez os disparos, com a intenção de atingir a perna. Logo depois, o ex-prefeito foi até a delegacia para avisar sobre o ocorrido, mas não sabia que o servidor havia morrido.

Bernal ainda alegou que não foi intimado sobre o leilão da casa, muito menos sobre o arremate. “Eu entrei com uma ação contra a Caixa e não fui avisado”, disse. Quanto à arma do crime, Bernal disse que tinha porte e registro, e que ela teria sido adquirida em 2013.

Bernal mandou chaveiro deitar no chão

Segundo o registro policial, o chaveiro relatou que Bernal, portando uma arma de fogo, aproximou-se pelo portão social e já apontou a arma em direção ao fiscal tributário. “O que você está fazendo aqui na minha casa, seu filho da p***?”, teria dito o ex-prefeito.

Diante da situação, a testemunha disse que olhou para Bernal e que a vítima estava ao seu lado. Ele afirmou aos policiais que Roberto não teve tempo de responder e sequer explicar o que estava fazendo no imóvel, pois o suspeito já atirou na direção da vítima, que caiu ao chão.

Em seguida, Bernal teria se virado para a testemunha, que afirmou ser “apenas o chaveiro” e estava no imóvel porque Roberto pediu que abrisse a porta. Logo, o ex-prefeito teria mandado o chaveiro se deitar de bruços.

O chaveiro ficou com medo e presenciou o ex-prefeito se dirigindo ao servidor estadual novamente, apontando a arma para ele. “Tudo foi muito rápido”, relatou a testemunha.

Segundo o depoimento do chaveiro, o ex-prefeito teria proferido várias ameaças e mencionado que efetuaria novos disparos. Diante disso, a testemunha se levantou — enquanto Bernal teria ficado vidrado em Roberto — alcançou o portão e saiu do local.

À polícia, o chaveiro disse ter pensado que Bernal poderia atentar contra ele, especialmente por tê-lo mandado se deitar de bruços. Por isso, deixou o imóvel e, após alcançar uma distância segura, entrou em contato com o filho e pediu que ele acionasse a polícia.

Por fim, o chaveiro disse que não observou Bernal saindo da casa, pois estava abalado emocionalmente e ficou afastado. Aproximadamente 20 minutos depois, ele viu o Corpo de Bombeiros e a PM (Polícia Militar) chegando ao local.

Thatiana Melo

MIDIAMAX