Menino de 9 anos morre após saga em UPA de Campo Grande e pais denunciam descaso

08/04/2026 10h00 - Atualizado há 6 horas

Mãe afirma que o filho não recebeu o devido atendimento médico

Cb image default
UPA Universitário –imagem ilustrativa. (Ana Laura Menegat, Jornal Midiamax)

João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morreu após apresentar uma lesão no joelho e passar por uma verdadeira saga em unidades de saúde de Campo Grande. Ele caiu no último dia 2 de abril e morreu após passar mal na Santa Casa, na terça-feira (7).

De acordo com o boletim de ocorrência, o menino caiu na quinta-feira (2) e foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Tiradentes, onde passou por consulta, fez um raio-x e foi liberado com uma receita para dipirona e ibuprofeno. A mãe relatou que ele não apresentava lesão na perna esquerda, mas sentia dor.

No dia seguinte, a mãe notou que João não estava bem e levou o filho para a UPA do bairro Universitário, onde passou por consulta novamente e foi liberado com receita para a mesma medicação de quinta-feira (2).

Já no sábado (4), o menino foi levado novamente para a UPA do Universitário, passou por consulta e recebeu uma injeção. Naquele dia, a mãe contou que o filho estava com bastante dor no peito; a médica que o atendeu teria dito que seria apenas ansiedade e liberou a criança.

A mãe retornou à UPA na tarde de domingo (5), ocasião em que João ficou em observação e foi submetido a outro raio-x. O exame teria apontado que o joelho esquerdo do menino estava com uma lesão, e ele foi liberado para que, na segunda-feira (6), fizesse a tala na Santa Casa.

Assim, a mãe levou a criança para o hospital na segunda (6), onde foi feita a tala na perna esquerda e João foi liberado. No mesmo dia, ele passou mal e desmaiou, momento em que a mãe percebeu que o filho estava roxo, principalmente nas pernas.

A situação ficou preocupante, e a família levou o menino para a UPA do Universitário, onde ele chegou desacordado e foi recepcionado por uma mulher, que seria enfermeira. Os funcionários da unidade teriam dito que não havia médico na UPA, mas colocaram João em uma maca e começaram a reanimá-lo.

Na ocasião, a equipe teria colocado oxigênio, entubado o menino e o encaminhado para a Santa Casa. No hospital, ele foi reanimado novamente e não resistiu.

À polícia, a família afirma que não houve o devido atendimento médico à criança, pois não foram feitos exames para verificar as dores de que João estava se queixando durante os atendimentos.

No documento de encaminhamento da Santa Casa, consta que o menino deu entrada no hospital à 0h18 de terça-feira (7), e o óbito foi constatado na mesma madrugada, à 1h05.

Sesau diz que caso está sendo apurado

Diante dos fatos, o Jornal Midiamax acionou a Secretaria Municipal, por meio da Prefeitura Municipal de Campo Grande, e foi informado, em nota que o caso está sendo investigado com levantamentos de prontuários e registros médicos.

A pasta afirmou também que as responsabilidades estão sendo verificadas e, caso identifiquem eventuais desvios de conduta, serão adotadas medidas cabíveis. Diante da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), a secretaria esclareceu que não fornece dados ou esclarecimentos sobre atendimentos individuais.

Confira a nota na íntegra:

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso está sendo investigado. Em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e ao princípio constitucional da inviolabilidade da intimidade e do sigilo das informações de saúde, a secretaria não fornece dados ou esclarecimentos sobre atendimentos individuais de pacientes à imprensa ou a terceiros, mesmo que de forma indireta. A pasta esclarece ainda que as informações estão sendo devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas.”

A reportagem também acionou a Santa Casa acerca dos atendimentos e aguarda um posicionamento. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Lívia Bezerra, Thatiana Melo

MIDIAMAX