Fazenda alvo de operação da PF é de bolsonarista candidato a deputado, que nega trabalho escravo e armas
A propriedade rural alvo de operação conjunta da Polícia Federal e do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em Porto Murtinho, pertence ao candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil). Ele negou manter trabalhadores em condições de escravos e que um arsenal apreendido na fazenda seja dele.
Em nota à imprensa divulgada pelo advogado dele, Alexandre Oliveira, o político nega a existência de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e alega que teria “absoluto interesse no completo esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes”.
Bernardo alega que os salários dos trabalhadores variam entre R$ 2.500 e R$ 4.000, sendo que teriam liberdade de dispor de sua remuneração e que os alojamentos teriam quartos climatizados.
“Além da remuneração, os trabalhadores recebem gratuitamente alimentação completa, compreendendo café da manhã, almoço, lanche e jantar, circunstância que também deverá ser considerada na análise das condições efetivamente oferecidas na propriedade”, descreve em nota.
ARMAMENTO
Sobre o arsenal encontrado na fazenda, o candidato nega ser o proprietário, alegando que “eventuais armas existentes no local pertencem aos próprios trabalhadores”, informou, acrescentando que isso deveria ser esclarecido nas investigações. Para a defesa não seria “juridicamente adequado atribuir automaticamente ao proprietário rural a titularidade ou responsabilidade por todo objeto encontrado dentro da propriedade”.
Ainda está relatado que há um histórico de conflito trabalhista entre Bernardo e um ex-funcionário da propriedade, que será apresentado às autoridades com documentos, o que permitiria que o contexto dos fatos que antecederam a fiscalização seja integralmente conhecido.
PERÍODO ELEITORAL
“A defesa não pretende, neste momento, antecipar qualquer conclusão sobre eventuais motivações relacionadas à divulgação ou à repercussão dos fatos. Contudo, é inegável que acusações dessa gravidade, quando divulgadas durante o período eleitoral, possuem potencial para repercutir diretamente sobre a imagem de qualquer candidato perante o eleitorado”, informa a nota.
A defesa ainda alega que o caso em investigação não deveria ser transformado em “condenação pública antecipada” e que adotará medidas para ter acesso integral aos procedimentos instaurados para esclarecimento das circunstâncias.
O CASO
A Operação na propriedade rural do candidato que fica na fronteira do Brasil com o Paraguai, foi deflagrada na quinta-feira, dia 17. Polícia Federal em ação conjunta com o MTE cumpriu um mandado de busca e apreensão, com o objetivo de apurar possível submissão de trabalhadores em condições análogas à escravidão e tráfico de pessoas para fins de exploração laboral.
Na fazenda, segundo a PF, foram localizados 23 trabalhadores que estariam em situação trabalhista irregular. “A investigação teve início a partir de informações de que trabalhadores estrangeiros estariam sendo recrutados informalmente e mantidos na propriedade em situação de vulnerabilidade”, informou em nota.
Ainda conforme a polícia, elementos apurados apontam indícios de “ausência de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e restrições à liberdade dos trabalhadores”.
Durante a ação, foram apreendidas na propriedade 14 armas de fogo e munições.
Nas diligências, foram apreendidas 14 armas de fogo de grosso calibre e munições. “O armamento estava em situação irregular, sendo que algumas das armas apresentavam numeração suprimida”, descreve a PF.
Ainda conforme o órgão, as investigações continuam para esclarecer as circunstâncias dos fatos e identificar eventuais responsáveis e outros envolvidos.


