Denúncia de ‘bactéria na testa’ após procedimento estético em MS faz mais vítimas se pronunciarem

02/01/2026 09h55 - Atualizado há 1 hora

Vítimas que procuraram a reportagem não buscaram a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência, que investigaria a especialista sobre tais procedimentos

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(Reprodução, Redes Sociais)

O relato de um procedimento estético malfeito em uma suposta clínica de Campo Grande, na antevéspera do réveillon, foi encaminhado ao Midiamax com o pronunciamento de mais pessoas — e, inclusive, de profissionais do ramo — que teriam sido prejudicados no mesmo estabelecimento e também avaliam a conduta da profissional responsável. As vítimas que procuraram a reportagem, no entanto, não buscaram a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência e investigar a especialista sobre tais procedimentos.

No post do “Aonde Não ir em Campo Grande – MS”, uma mulher alega que fez um procedimento estético com ácido hialurônico e teria contraído uma bactéria chamada Pseudomonas. “Fiquei internada por oito dias, para tratamento, por ser uma bactéria resistentes a medicamentos. Tive e estou tendo um gasto enorme com tratamento e continuo com sequelas no rosto”, diz em um trecho.

Conforme a suposta paciente, a doutora Luana é quem teria sido a responsável pelo caso. “Além de não pagar todos os gastos que estou tendo, também não estornou o valor pelo qual paguei”, encerra, dizendo estar fazendo um alerta para quem pensa em ir ao mesmo lugar. A postagem teve milhares de interações e comentários.

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Divulgação

‘Tive que assinar um termo’, alega paciente

Ao Midiamax, um homem alegou que fez um procedimento com a profissional Luana Recalde e ficou com uma região do corpo necrosada. “Na época, para ela devolver parte do dinheiro dos procedimentos, eu tive que assinar um termo. Nesse termo, estava escrito que eu concordava com tudo e estava ciente dos erros/danos causados, então, não poderia entrar judicialmente ou de outra forma legal contra ela. A gente precisava do dinheiro de volta para pagar o tratamento médico, então tivemos que assinar”, comentou.

Além dele, uma mulher alegou que também esteve na mesma clínica, em fevereiro de 2025, e passou por um procedimento que, segundo ela, “deu ruim”. “Sorte que sou uma pessoa bem tranquila e pensei muito em registrar um boletim. Tive que ir para UPA [Unidade de Pronto Atendimento]. O médico me passou remédios e tomei até uma injeção e depois nunca mais quis saber de procedimento estético”, lamentou.

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(Arquivo Pessoal/Montagem Jornal Midiamax)

‘Nítido o despreparo’, aponta profissional do ramo

Já a profissional que enviou mensagens à reportagem avaliou vídeos postados por Luana, que alega especialização em harmonização orofacial. O Midiamax teve acesso ao vídeo, mas não irá postar. “É muito nítido o despreparo e a falta de conhecimento. Denunciar ao CRO [Conselho Regional de Odontologia] não resolve e ela continua prejudicando toda uma classe de profissionais”, avaliou.

A profissional fala que, pelas postagens feitas na rede social da clínica, também é possível avaliar alguns supostos erros. “A gente vê seringas cheias de ar e elas nunca vêm assim, sempre 100% completas, ou seja: adulteradas com produtos que ela compra sem [registro na] Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Ela reutiliza as seringas para por preenchedor comprado no Paraguai, por isso tanta contaminação. Isso deve ser utilizado e descartado após procedimento”, comenta a profissional.

A reportagem entrou em contato com o CRO-MS por telefone e não conseguiu uma posição até o momento. Da mesma forma, tentamos falar com a profissional acusada através do número disponibilizado na internet, mas ninguém atendeu. O espaço segue aberto para pronunciamento.

Graziela Rezende

MIDIAMAX