Aluno celebrou 1º voo horas antes de morrer com “banho de óleo” no PR

18/07/2026 05h29 - Atualizado há 1 hora

Gustavo Henrique Lara publicou mensagem sobre a realização do sonho de se tornar piloto. O caso ocorreu em Ponta Grossa (PR)

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Divulgação

O engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu após participar do trote de banho de óleo pela conclusão do primeiro voo solo durante o curso em uma escola de aviação, em Ponta Grossa (PR). A vítima sonhava em se tornar piloto e, pouco antes do incidente fatal, compartilhou nas redes sociais a emoção pela conquista.

“Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui”, escreveu Gustavo ao publicar uma foto ao lado da aeronave.

Amigos e familiares foram convidados para acompanhar o tradicional “batismo”, cerimônia realizada após o primeiro voo solo de alunos da aviação.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa se manifestaram sobre o acidente.

Entenda o caso

O caso ocorreu na noite de quinta-feira (16/7). Gustavo havia acabado de concluir o primeiro voo solo, marco na formação de pilotos, quando participou do ritual. Após receber o óleo sobre o corpo, ele sofreu uma reação alérgica e morreu.

A vítima sofreu uma reação anafilática, um tipo grave de alergia. Ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.

Ele chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi levado ao hospital, mas não resistiu e morreu na unidade de saúde

No “trote”, os professores costumam despejar no pescoço do aluno óleos usados em motores de aeronave, como se fosse um “batismo” na aviação.

Instrutor foi preso e liberado após pagar fiança

De acordo com o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, o óleo foi lançado por um instrutor da escola durante a comemoração. Em depoimento, ele confirmou ter jogado a substância em Gustavo e afirmou que o procedimento costuma ser feito “do pescoço para baixo”.

O instrutor se apresentou espontaneamente à Polícia Civil (PCPR), foi preso em flagrante por homicídio culposo, prestou depoimento e foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.

A identidade dele não foi divulgada.

A corporação informou que, até o momento, não há indícios de que o suspeito tenha agido com intenção de provocar a morte da vítima.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias do caso, incluindo a composição da substância utilizada, a quantidade aplicada, as partes do corpo atingidas e se o contato com o produto teve relação direta com a morte.

Também foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa do óbito. Além disso, a polícia deve analisar imagens, documentos e ouvir testemunhas, participantes do ritual e familiares de Gustavo.

Anac se manifesta

Em nota, a Anac alertou que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, entrar em contato com a pele, conforme orientações presentes nos próprios rótulos desses materiais. “O uso desses produtos durante rituais de celebração traz riscos à saúde das pessoas, podendo inclusive levar a óbito”, afirmou a agência.

A Anac também reforçou o apelo para que escolas de aviação, aeroclubes e demais instituições de instrução revejam esse tipo de tradição.

“Na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de celebração de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco”, destacou.

Álvaro Luiz

METRÓPOLES