QUEM DEVE TEME: Bolsonaro corre de depoimento em inquérito da Polícia Federal e recorre ao STF

28/01/2022 14h55 - Atualizado há 2 anos

O caso foi parar no STF

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) não compareceu ao depoimento marcado para a tarde desta sexta-feira (28) na sede da Polícia Federal em Brasília. A oitiva havia sido marcada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que apura o vazamento de dados sigilosos em uma live feita pelo presidente.

Na eminência de ter de sentar frente a frente com autoridades policiais federais e ser interrogado e confrontado com relação a vazamento de dados sigilosos de guarda da própria Polícia Federal, Bolsonaro apela para a AGU, que deveria ser a Advocacia Geral da União, mas que advoga particularmente para ele, no sentido de buscar no STF uma maneira de protelar esse interrogatório.

Com mais esse desrespeito a legislação e a uma ordem judicial, a qual se coloca como um ser superior e que não precisa cumprir, como cabe a todos os outros cidadão brasileiros fazer, Bolsonaro tenciona a harmonia dos poderes e força o SFT a se manifestar, passando uma ideia, para o gado de seu cercadinho, que está havendo interferência do STF com relação ao Planalto.

Essa manobra pode até adiar esse depoimento, mas não atrapalha as investigações da PF, principalmente porque Bolsonaro é réu confesso, tanto na questão de interferir na PF para tentar livrar seus filhos de investigações, quanto com relação ao inquérito em questão, que tem em uma live, feita por Bolsonaro, mostrando documentos sigilosos, passando o recado que estaria interferindo e tendo informações privilegiadas, assim como denunciou Sergio Moro, quando pediu exoneração do cargo de Ministro da Justiça, alegando interferência e cobranças irregulares do Presidente.

Dentro do próprio palácio do planalto, quando no meio de seus aliados do centrão, a recusa de não depor, não foi bem aceita, demonstrando o receio de ser confrontado pessoalmente, visto que até agora seus depoimentos sempre foram respondidos pela AGU e por escrito.

Assim como no tempo em que foi "militar", o segundo tenente, reformado como capitão, continua se utilizando de subalternos para atingir seus objetivos e da distância para forjar sua coragem.

Por TONI REIS