VÍDEO: “Ele não conseguiu terminar o último plantão”, diz esposa de médico vítima da Covid

11/07/2020 09h46 - Atualizado há 4 anos

A esposa de Monteiro fez as declarações por meio de vídeo junto com os filhos

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Divulgação

Uma das mais recentes vítimas do coronavírus (Covid-19) em Dourados teve a vida dedicada à saúde.

Antônio Carlos Monteiro, 59, morreu nesta quinta-feira (9) após passar 12 dias internado em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Evangélico, onde trabalhou por décadas.

Os sintomas tiveram início ainda no dia 25 de junho. Neste mesmo dia saiu o resultado de teste confirmado o quadro de infecção por coronavírus. O médico possuía hipertensão e obesidade como comorbidades e, mesmo assim, não interrompeu as atividades profissionais antes de pegar o vírus.

Os últimos dias foram de muitas dificuldades tanto para Monteiro, que esteve sozinho no hospital em estado grave, quanto para família do médico que não tive a chance se despedir em decorrência de medidas de protocolo do Ministério da Saúde.

Por vídeo divulgado em redes sociais, Sueli Clemencia Batista Monteiro, a esposa de Monteiro, contou como foi os últimos dias de trabalho e de vida do marido.

“Ele saiu de casa dizendo que faria um plantão de 24 horas, mas não conseguiu terminar, passando mal após 12 horas. Era o último plantão de sua vida”, contou a mulher ao lado dos filhos e outros parentes mais próximos.

Visivelmente comovida, Sueli lembrou ainda da chegada em Dourados, ainda em 1994. Na ocasião, o médico iniciava os primeiros anos de trabalho no Hospital Evangélico, mesma unidade hospitalar em que esteve internado nas últimas semanas antes de ir a óbito.

“Ele amava aquele Hospital. Foi o primeiro lugar que o acolheu quando nós chegamos em Dourados”, comentou agradecendo as equipes por terem “lutado bravamente” pela recuperação do conhecido paciente.

Monteiro é terceiro médico que morre por conta da doença na maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, conforme divulgado pelo Dourados News. A mulher chamou atenção para os riscos da profissão e o drama vivenciado nos últimos dias de vida.

“Meu esposo estava internado, passando mal e eu não pude ficar ao lado dele. Não pude dar um olhar. Um beijo de despedida. Fiquei em casa em isolamento eu e minha filha. Passamos dias difíceis. Tivemos muitos problemas de saúde”, detalhou Sueli.

Por fim, ela manda um breve recado para os todos os médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais de saúde: “amem essa profissão que escolheram”.

Por Wender Carbonari

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