Turquia corta relações com Israel e bloqueia portos e espaço aéreo
Chanceler Hakan Fidan anunciou suspensão total das relações comerciais e logísticas com Israel e acusa país de agravamento da fome em Gaza
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, anunciou nesta sexta-feira (29/8) que o país suspendeu por completo suas relações comerciais e logísticas com Israel. Em discurso no Parlamento, em Ancara, o chanceler afirmou que aeronaves israelenses não poderão mais sobrevoar o espaço aéreo turco e que embarcações de Israel terão a entrada proibida nos portos do país. A medida também veta que navios turcos atraquem em portos israelenses, consolidando o bloqueio bilateral.
“Suspenderemos completamente o comércio com Israel. Não permitimos que navios turcos entrem nos portos israelenses. Não permitimos que aviões israelenses entrem em nosso espaço aéreo. Nenhum outro país rompeu de forma tão completa os laços comerciais com Israel”, declarou Fidan durante a sessão extraordinária, convocada para debater a situação na Faixa de Gaza.
Segundo o ministro, Israel tem dificultado a entrada de ajuda humanitária no enclave palestino, “usando a fome como arma”. Ele acusou Tel Aviv de manter uma “política de terrorismo de Estado” e advertiu que o “genocídio em Gaza está piorando”.
A decisão amplia restrições já em vigor desde maio, quando Ancara suspendeu totalmente o comércio bilateral. Agora, com o fechamento do espaço aéreo e dos portos, a Turquia eleva a pressão diplomática e econômica a um novo patamar.
Histórico de tensões
As relações entre Turquia e Israel vêm se deteriorando desde outubro de 2023, quando ataques do Hamas desencadearam a atual guerra na Faixa de Gaza. O presidente turco, Tayyip Erdogan foi um dos líderes mais duros contra Tel Aviv, comparando o premiê Benjamin Netanyahu a Adolf Hitler e acusando Israel de cometer crimes contra a humanidade.
No plano internacional, a Turquia pediu para aderir à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, que investiga acusações de genocídio contra Israel.
Também enviou carta à ONU solicitando a imposição de um embargo global de armas ao governo israelense.
Em junho, Erdogan voltou a criticar Netanyahu após a ofensiva israelense contra instalações militares e nucleares iranianas. Em conversa com o emir do Catar, o presidente turco classificou o premiê israelense como “a maior ameaça à segurança da região” e advertiu para que os conflitos não se expandam à Síria.
Crise em Gaza
O endurecimento da política turca ocorre em um momento de escalada da crise humanitária em Gaza, onde milhares de civis permanecem sem acesso regular a alimentos, medicamentos e abrigo.
Na quarta-feira (27/9), os membros do Conselho de Segurança da ONU, com exceção dos Estados Unidos, afirmaram que a fome na Faixa de Gaza é uma “crise provocada pelo homem” e acusaram Israel de utilizar a escassez de alimentos como arma de guerra, em violação ao direito internacional humanitário.
Ancara tenta se projetar como defensora da causa palestina, mas também busca ampliar sua influência regional, aproximando-se de países árabes críticos a Israel.
Até o momento, o governo israelense não se pronunciou sobre a decisão turca. A medida, no entanto, sinaliza um aprofundamento do isolamento diplomático de Tel Aviv em meio à guerra.
Manuela de Moura
METRÓPOLES