Quem é a mulher que sobreviveu a duas injeções letais no corredor da morte
Mulher, de 50 anos, foi condenada à morte quando tinha 18 anos, após um assassinato brutal por motivo fútil
A norte-americana Christa Pike, que passou quase 30 anos no corredor da morte, chamou a atenção após ter sobrevivido a duas injeções letais, recebidas na quarta-feira (30/9). O caso ganhou ainda mais repercussão depois de o governador do Tennessee suspender as execuções para investigar o que aconteceu.
Neste momento, a mulher, de 50 anos, passa por cuidados “para salvar sua vida” em um hospital e, segundo seus advogados, “não perdeu a consciência, ainda tem batimentos cardíacos e está roncando audivelmente”.
Um médico contratado pela equipe jurídica da condenada afirmou que ela provavelmente sofreu uma lesão cerebral. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
Pike foi condenada à morte aos 18 anos após ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, espancarem com um pedaço de concreto e matarem a facadas Colleen Slemmer, de 19, em uma área de mata em Knoxville, em 12 de janeiro de 1995.
O assassinato foi motivado por ciúmes, já que Pike temia que Slemmer estivesse tentando roubar seu namorado. O corpo da jovem foi encontrado com um pentagrama entalhado no peito, feito por Shipp, com um estilete.
Shipp tinha 17 anos quando o crime ocorreu e recebeu pena de prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi condenada à morte e, posteriormente, diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.
No pedido de clemência, ela afirmou que pretendia apenas brigar com a rival, mas não teria conseguido se controlar. “Eu era uma jovem de 18 anos com doença mental. Levei muitos anos até compreender a gravidade do que havia feito”, declarou Pike.
Além da idade, os advogados de Pike defendem que ela teve uma infância excepcionalmente traumática e abusiva, com histórico documentado de abuso sexual infantil (ela teria sido estuprada dos 11 e aos 17 anos), abandono e negligência, Eles tentaram por anos anular a sentença de morte, sem sucesso.
Outro argumento usado pela defesa foi endossado pelo defensor público federal assistente Stephen Ferrell, à mídia internacional, que confirmou que o caso de Pike é excepcional, porque outros condenados de 18 anos no Tennessee tiveram as penas de morte anuladas.
Um terceiro adolescente também admitiu ter sido cúmplice do crime, mas recebeu liberdade condicional.
Lorena Pacheco
METRÓPOLES
