O Laboratório do Exército pagou quase seis vezes mais pela matéria prima da cloroquina

20/05/2020 15h50 - Atualizado há 13 dias

Em maio de 2019 o ministério da Saúde havia comprado o sal difosfato, a matéria-prima da cloroquina, a R$ 219,98 o quilo

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(foto: youtube/reprodução)

Em maio de 2019 o Ministério da Saúde comprou, através de processo licitatório, o sal difosfato, matéria-prima da cloroquina, por R$ 219,98 o quilo. Nesse mês de maio de 2020 o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército comprou 500 quilos da mesma matéria prima, sem licitação, a R$ 1.304,00 o quilo, ou seja, por quase seis vezes mais.

Com a compra o Exército desembolsou R$ 652.000,00, enquanto que o mesmo volume, comprado pelo valor do Ministério da Saúde, não custaria mais de R$ 109.990,00.

Nos dois casos a compra foi feita de uma empresa sediada em Campanha, no interior de Minas Gerais e a cloroquina foi importada de um mesmo fabricante na Índia, o Laboratório IPCA.

No caso, o que mais espanta nem é o valor de pouco mais de milhão de reais e sim o investimento em um medicamento que não tem nenhuma comprovação de eficácia, além dos gravíssimos efeitos colaterais apresentados e comprovados cientificamente, por anos de estudos, visto que o medicamento foi desenvolvido para o tratamento de outras enfermidades.

O protocolo emitido pelo Ministério da Saúde, na manhã de hoje (20), apesar de já estar sendo anunciado por Bolsonaro, provocou perplexidade em autoridades de saúde do país e do resto do mundo. Inclusive já existem movimentações para que esse protocolo seja sustado na justiça, pois é considerado um crime contra a saúde pública, prova disso o documento que deverá ser assinado pelo paciente, assumindo total responsabilidade caso venha vir a óbito.

O protocolo foi emitido graças ao amparo da MP que estabelece que agentes públicos só podem ser responsabilizados se houver comprovação de 'erro grosseiro' ou 'dolo' em ações.

Para especialistas, além de inconstitucional, a MP é 'obscura' e 'autoritária', e já coleciona, contra si, diversas ações no STF.

Por TONI REIS