Lula critica planos de Trump para Gaza: “Querem resort para passar férias onde estão cadáveres de mulheres e crianças”

05/03/2026 05h15 - Atualizado há 1 dia

Sem mencionar o líder norte-americano, presidente Lula questionou proposta para a reconstrução da Faixa de Gaza

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Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (4/3) os planos anunciados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstruir a região da Faixa de Gaza.

Em janeiro, o norte-americano lançou o Conselho da Paz, uma organização internacional para combater conflitos internacionais. Por meio do grupo, Trump tem dito que vai promover um plano de reconstrução e “estabilização” de Gaza, que deve ter um investimento de cerca de US$ 5 bilhões.

Durante um evento para celebrar a cooperação entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o presidente Lula questionou a destruição da Faixa de Gaza e a efetividade do Conselho da Paz de Trump.

“Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças, para agora aparecerem com pompa criando um Conselho, para dizer: ‘Vamos reconstruir Gaza’?”

Sem mencionar Trump, o petista avaliou que os planos do Conselho da Paz envolvem a construção de um “resort para milionário passar férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças”.

“Muitas vezes, a gente fica impassível. Se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece”, disse Lula.

No discurso, o presidente voltou a defender a paz e afirmou que é “a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance”.

O Conselho da Paz foi lançado oficialmente por Trump em janeiro. O presidente norte-americano convidou dezenas de países, como o Brasil, a integrar o órgão.

Pelo menos 19 países endossaram a carta de criação do conselho, assinada por Trump. Entre os governos que rejeitaram participar da organização, estão Itália, França e Alemanha. O Brasil ainda não respondeu ao convite.

A comunidade internacional avalia que a criação do conselho, que terá os EUA na presidência, é uma estratégia de Trump para esvaziar a atuação da ONU na mediação de crises.

Alice Groth, Kevin Lima

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