Legendários: por que grupo popular entre famosos virou alvo da igreja
Popularizado após a participação de celebridades, o movimento Legendários reúne homens em encontros com desafios e reflexões
O movimento cristão Legendários, que ganhou popularidade no Brasil com a participação de famosos, passou a ser questionado após uma recomendação da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). A instituição orientou que os fiéis não participem do grupo, que reúne homens em experiências de espiritualidade, desafios físicos e reflexões sobre família e propósito.
A decisão foi aprovada pelo Supremo Concílio da denominação na última terça-feira (28/7), durante uma reunião realizada em Manaus. Segundo a igreja, a orientação ocorreu após questionamentos sobre práticas do movimento que, na avaliação da liderança, podeO que é o Legendários?
Criado em 2015, na Guatemala, o Legendários se apresenta como um movimento cristão voltado para homens.
Os encontros buscam fortalecer a espiritualidade, a relação familiar e o desenvolvimento pessoal, com reflexões sobre temas como liderança, casamento, propósito e fé.
As experiências promovidas pelo grupo costumam envolver desafios físicos, momentos de reflexão e atividades em contato com a natureza.
Nos últimos anos, o movimento ganhou visibilidade no Brasil após a participação de celebridades e influenciadores.
Entre os nomes conhecidos que já participaram ou compartilharam registros de experiências no Legendários estão Eliezer, Thiago Nigro, Felipe Araújo, Neymar Pai e Kaká Diniz.riam se afastar de princípios da tradição cristã.
A recomendação da IPB, porém, não representa uma proibição. A denominação orientou que cada igreja local avalie como deve conduzir a participação dos membros no movimento.
No parecer que embasou a decisão, a igreja apontou preocupações com elementos presentes na organização do Legendários, como o uso de discursos motivacionais ligados ao coaching, estratégias de comunicação, rituais fechados de pertencimento, sigilo entre participantes, roupas padronizadas e identificação por números.
A denominação também questionou o uso da expressão “Legendário 001” para se referir a Jesus Cristo, considerada inadequada pela liderança presbiteriana. Segundo o documento aprovado pelo Supremo Concílio, essas práticas poderiam representar um afastamento da simplicidade e da centralidade do Evangelho, princípios defendidos pela tradição cristã reformada.
Legendários se manifestou após a denominação
Em nota, encaminhada ao Metrópoles, o movimento Legendários esclarece que a decisão do Supremo Concílio da IPB não estabelece qualquer proibição à participação de membros da denominação em movimentos, como o Legendários.
“A deliberação aprovada tem caráter de recomendação e preserva a autonomia de cada igreja local para avaliar e orientar seus membros, considerando as particularidades de cada contexto. O texto final também não determina qualquer medida restritiva específica contra o Legendários”, complementou o movimento.
Eles afirmaram ainda que receberam a publicação com “serenidade e respeito” e que acreditam que a redação aprovada “contribui para esclarecer o tema e permite que eventuais avaliações sejam realizadas de maneira responsável e autônoma localmente”.
Camilla Germano
METRÓPOLES
