Grupo é alvo da polícia por incentivar menina a morrer em live

05/08/2026 05h43 - Atualizado há 7 horas

Até a última atualização, quatro dos cinco adolescentes alvos dos mandados de internação já haviam sido apreendidos

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Reprodução

Uma operação conjunta das polícias civis de cinco estados cumpriu, nesta terça-feira (4/8), mandados contra suspeitos de participação na morte de uma adolescente de 13 anos que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo na plataforma Discord.

A investigação aponta que a vítima teria sido induzida, coagida e ameaçada por integrantes do grupo até cometer o ato.

Batizada de Operação Lívia, a ação cumpriu um mandado de prisão preventiva, cinco mandados de internação de adolescentes e seis mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

Até a última atualização, quatro dos cinco adolescentes alvos dos mandados de internação já haviam sido apreendidos.

A vítima morava em Naviraí (MS) e morreu em 22 de julho. Segundo o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), Alessandro Barreto, a adolescente foi submetida a uma sequência de desafios antes da morte.

“Eles deram a ela a missão de matar um animal. Como ela não conseguiu cumprir essa determinação, foi obrigada a escrever uma carta de despedida e tirar a própria vida”, afirmou.

Ainda de acordo com Barreto, a adolescente permaneceu mais de 45 minutos se automutilando durante a transmissão, enquanto outros participantes acompanhavam a cena em tempo real por meio da plataforma Discord.

A jovem foi encontrada sem vida pela mãe, na varanda da residência onde morava com a família.

As investigações apontam que os suspeitos não apenas assistiram à transmissão, como também teriam incentivado a adolescente a continuar com a automutilação e o suicídio. Eles são investigados por induzir, instigar, constranger e ameaçar a vítima durante a live.

Segundo pessoas com conhecimento da investigação, outra adolescente também participava da transmissão e teria sido incentivada pelo grupo a praticar automutilação e suicídio. Ela, no entanto, abandonou a live antes que algo mais grave acontecesse.

Além do caso envolvendo a morte da jovem, a Polícia Civil também apura outros possíveis crimes praticados pelo grupo, entre eles maus-tratos a um animal.

A investigação conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e busca esclarecer a atuação individual de cada investigado e a existência de outras vítimas.

Ao comentar as operações Lívia e Rede Interrompida — sendo que a segunda investiga um grupo suspeito de planejar atentados em Brasília (DF) durante as eleições de 2026 —, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, ressaltou a importância das recentes mudanças na legislação para viabilizar o trabalho das forças de segurança no enfrentamento desses crimes.

“Por isso, a importância fundamental de valorizarmos essa legislação. Estou falando, particularmente, do Decreto nº 12.880, de 18 de março de 2026, e dos Decretos nº 12.975 e nº 12.976, que tratam, respectivamente, do Eca Digital, do Marco Civil, e diretrizes para a proteção de mulheres na internet”, lembrou.

Letícia Guedes, Mirelle Pinheiro

METRÓPOLES