EXTREMA DIREITA: Rejeição a Kast dispara no Chile e aprovação despenca para 22,1%
Crise política provocada por benefícios a condenados por crimes sexuais desgasta o governo e pressiona ministro da Justiça
Diante de uma forte crise política motivada por benefícios penitenciários concedidos a condenados por crimes sexuais contra menores, o presidente do Chile, José Antonio Kast, atingiu a menor aprovação de sua gestão desde o início do mandato. De acordo com a pesquisa Pulso Ciudadano referente a outubro, apenas 22,1% da população aprova o trabalho do chefe de Estado — um recuo estatisticamente significativo de 6,1 pontos percentuais em comparação com o mês anterior. Em contrapartida, a desaprovação ao governo subiu acentuadamente, alcançando o patamar de 67,5%.
O desgaste popular também se reflete nos índices diretos de confiança na figura do mandatário. O levantamento mostra que apenas 16,1% dos entrevistados afirmam ter “muita ou bastante confiança” no presidente. No extremo oposto, a grande maioria dos chilenos — expressa em 61,2% dos consultados — manifestou pouca ou nenhuma confiança em sua liderança.
A deterioração da avaliação está diretamente associada à indignação pública provocada pela concessão de benefícios prisionais a 56 sentenciados por exploração e violência sexual contra crianças e adolescentes. A conduta do Poder Executivo diante da controvérsia foi classificada como “ruim ou péssima” por 71,7% da população. O repúdio à conduta governamental é amplo em diferentes segmentos políticos, alcançando 87,9% entre os eleitores de oposição e 76,4% entre os cidadãos independentes.
O centro da crise atinge diretamente a pasta da Justiça. Para 74,2% dos chilenos, o presidente Kast errou na condução do episódio e deveria exigir a renúncia imediata do ministro Fernando Rabat. A exigência pela saída do secretário de Estado ultrapassa as barreiras da oposição e ganha terreno na própria base aliada, na qual 49,8% dos partidários do governo defendem a demissão. O apoio a medidas punitivas no âmbito legislativo é expressivo: 64,3% dos entrevistados afirmam que votariam a favor de uma acusação constitucional para destituir o ministro.
Diante do cenário de contestação social, o estudo consultou a opinião pública sobre restrições legais a progressões de pena e reduções de condicional por bom comportamento. A ampla maioria da sociedade apoia o endurecimento da legislação: 51,1% dos entrevistados defenderam que os crimes sexuais contra menores fiquem sumariamente excluídos de qualquer benefício. Entre as demais modalidades criminosas que a população exige barrar de abrandamentos na pena aparecem os assassinatos (41,2%), o crime organizado (37,4%) e o tráfico de drogas (36,5%).
Guilherme Levorato
BRASIL 247
