Brasileira diz que Irã está unido e quer vingança contra Israel e EUA

11/03/2026 05h18 - Atualizado há 1 dia

Estudante residente na cidade de Qom afirma que população tenta manter rotina normal e apoia o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei

Cb image default
Bandeiras iranianas em dia de ataque dos EUA ao Irã • Reuters

Uma estudante brasileira radicada na cidade sagrada de Qom afirmou à CNN Brasil que a população do Irã está unida em apoio ao novo governo do país, mas quer vingar os ataques feitos pelos Estados Unidos e Israel.

“Eu nunca vi o povo tão unido como agora. Mas eles querem vingança pelo sangue do nosso líder martirizado (o aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra)”, disse ela.

A estudante pede para ser identificada apenas como “Fátima”, nome fictício usado por motivos de segurança. Ela tem 33 anos, é muçulmana, possui dupla cidadania e estuda em uma instituição iraniana em Qom.

Segundo ela, a popularidade do regime iraniano teria aumentado por causa dos ataques americanos e israelenses que atingiram, entre outros locais, escolas e hospitais e pela morte de muitos líderes do país.

Fátima afirma que a população decidiu ocupar as ruas, inclusive de madrugada, demonstrando apoio ao governo e ao novo líder supremo.

A brasileira se diz uma grande apoiadora tanto do líder supremo morto Ali Khamenei como do seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei.

A foto do aplicativo de conversas dela mostra claramente esse apoio. Trata-se de uma montagem feita com as fotos dos três líderes supremos do país e a inscrição “nosso grito é alto”, em persa.

Ela também diz que os iranianos simplesmente não consideram a possibilidade de perder a guerra, apesar dos bombardeios constantes contra muitas cidades do país.

“O povo iraniano tem muita fé. E essa fé tem uma força tão extrema que eles não temem, tipo, perder a guerra. Não existe essa possibilidade para eles. É ganhar ou é ganhar, sabe?”, diz ela.

Segundo Fátima, os iranianos estão “lutando com um propósito muito grande de livrar o Oriente Médio, e principalmente a questão Palestina, das mãos dos Estados Unidos e de Israel”.

“Essas são as únicas coisas que importam para eles”, diz ela.

"Eles não têm esse medo no coração. E não são só os adultos. Você vê crianças pequenas, jovens, adultos, senhores de idade, senhoras de idade, você vê que eles têm essa fé forte de que a gente vai vencer”, afirma a estudante.

Fátima afirma que a cidade de Qom está relativamente tranquila, apesar de pelo menos um grande ataque realizado contra o prédio da Assembleia dos Peritos, o órgão que escolheu Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do país, na semana passada.

Qom fica a cerca de 160 km de Teerã e é a segunda cidade mais sagrada entre os xiitas. A cidade hospeda um famoso seminário islâmico, onde o próprio aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, estudou e lecionou.

“A situação aqui na cidade de Qom não está caótica, nem nada disso. Eu acabei de voltar da rua e estava tudo normal. Fui fazer compras no mercado, tudo normal. Os mercados estão cheios, não estão com as prateleiras vazias. Os postos de gasolina também estão operando normalmente”, diz ela.

“O povo está todo na rua. Revezando para não deixar as ruas vazias, apoiando o exército iraniano e tudo mais. E ainda lamentando muito o assassinato do líder supremo Ali Khamenei”, afirmou.

Fátima diz que não sente nenhum medo por causa dos ataques, mas que tem raiva das pessoas que chamavam o líder supremo Ali Khamenei de “ditador”.

“Eu sinto uma raiva muito grande de pessoas no Brasil falando que ‘o pior ditador de todos os tempos’ foi morto. Se ele era tão ditador assim, por que o povo dele ama ele tanto assim? Então, não tem lógica, não tem cabimento um negócio desse”, disse ela.

Blog Américo Martins - CNN