Argentina investigada por racismo no Rio coloca tornozeleira eletrônica
Estrangeira registrou um boletim de ocorrência para denunciar as ameaças que vem recebendo nas redes sociais; episódio aconteceu na última quinta-feira (14)
A argentina Agostina Paés, acusada de injúria racial contra um funcionário de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, compareceu à Central de Monitoração Eletrônica para a instalação da tornozeleira na tarde desta quarta-feira (21), conforme informou a (SEAP) Secretaria de Estado de Administração Penitenciária à CNN Brasil.
Mais cedo, a estrangeira registrou um boletim de ocorrência para denunciar as ameaças que vem recebendo nas redes sociais. Em contato com a reportagem nesta terça-feira (21), a Polícia Civil confirmou o registro e informou que a investigação está em andamento.
No último sábado (17), ela teve o passaporte apreendido por determinação da Justiça do Rio de Janeiro e como medida cautelar, está usando tornozeleira eletrônica.
O inquérito que apura a acusação de racismo deve ser finalizada quinta-feira (22). O funcionário foi ouvido novamente, e novas diligências estão em andamento antes do envio do procedimento ao Ministério Público.
O episódio aconteceu na última quinta-feira (14). A vítima procurou a delegacia e contou que foi alvo de ofensas racistas feitas pela turista. Segundo o relato, a mulher apontou o dedo para o homem e o chamou de “negro” de forma pejorativa e discriminatória.
Versão da turista
Ao jornal argentino, Agostina disse que após a confusão por causa de um suposto erro na conta do bar, ela e seus amigos pagaram tudo que havia sido cobrado. E ao saírem do local, os funcionários teriam começado a debochar deles, começado a tocar em suas partes íntimas.
"Como se insinuassem que algo ia acontecer conosco, riram enquanto nos gravavam e é aí que tive aquela reação muito ruim", contou a turista. Em seguida, Agostina passou a fazer xingamentos racistas a um funcionário. Mas, ela acrescenta que sabe que "não deveria ter reagido assim"
A turista afirmou que já contratou um advogado no Brasil e que ele solicitou as imagens de segurança do local. A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos envolvidos. O espaço segue aberto.
Thomaz Coelho, da CNN Brasil
