Após corpo de filho desaparecer do IML, mãe vai em busca por respostas
Sumiço de restos mortais de jovem de 22 anos encontrado carbonizado é alvo de investigação aberta pela Polícia Civil de Suzano
Patricia dos Santos Nunes vive, desde agosto, o luto pela perda do filho mais velho, Kewin dos Santos Nunes, de 22 anos (foto em destaque à direita). O jovem desapareceu dia 7/8 e, após 16 dias, foi encontrado carbonizado em uma área de mata de Suzano, na Grande São Paulo. A família aguardou por dois meses a conclusão de laudo atestado a identidade dos restos encontrados naquela ocasião, mas vai ter de esperar mais devido os restos terem desaparecido de dentro do Instituto Médico Legal (IML). O caso é investigado pela Polícia Civil.
O sumiço dos restos mortais do jovem de 22 anos foi descoberto e denunciado nesse nesse sábado (31/10). A polícia trata o caso como irregularidades funcionais.
Ao Metrópoles, Patrícia diz que, após o filho ser encontrado morto carbonizado, os restos mortais foram enviados à capital, para exames no Núcleo de Antropologia, da Polícia Científica do estado de São Paulo que confirmou, em setembro, a identidade do jovem. Em 27 de outubro, o IML de Suzano, que guardava os restos mortais, afirmou que a família podia dar início aos trâmites para sepultamento.
“Assinei documentos pertinentes, dando prosseguimento aos trâmites necessários para o sepultamento, inclusive contratando funerária e comunicando o cartório”, diz ela, em trecho registrado no Boletim de Ocorrência (B.O.)
Kewin era o primogênito de Patricia. Ela tem também uma filha de 12 anos. A família mora em Itaquaquecetuba, também na Grande São Paulo.
Desde o encontro do jovem morto, a família busca por respostas do que teria ocorrido na ocasião. A investigação é realizada pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes.
O sepultamento de Kewin estava agendado para este domingo (1°/11). Contudo, a cerimônia não pôde ser feita diante do sumiço misterioso dos restos mortais do jovem de 22 anos.
“Quando funcionários da funerária chegaram ao IML, eles foram informados que meu filho não estava lá. Perguntamos, e os funcionários não sabem explicar o que aconteceu”, afirma Patrícia, que complementou dizendo ter ouvido que o IML está apurando “eventuais falhas” nos procedimentos de transporte, recebimento, armazenamento ou destinação dos restos mortais.
O delegado Rodrigo Kochenborger, que registrou o caso, pontuou que, diante das informações apresentadas, os fatos foram registrados “em análise preliminar” como Irregularidade Funcional. A autoridade, no entanto, pontuou que no decorrer da investigação há “posterior adequação jurídica ou “instauração de procedimento crminal específico”. Ou seja, podendo ou não ser alterada o tipo tipificação de crime registrado.
Patricia tem ido, desde a descoberta do sumiço, ao IML de Suzano para respostas. Ela voltou, nesta segunda-feira (2/11), no órgão público e não obteve nenhuma nova informação sobre os restos mortais do filho.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que “a direção do Instituto Médico Legal (IML) determinou a apuração dos procedimentos relativos aos restos mortais calcinados que passaram pelo IML Central e teriam sido encaminhados à unidade de Suzano. Boletim de ocorrência foi registrado pelo IML de Suzano e as unidades vão conferir os registros e o encaminhamento do material, respeitando a cadeia de custódia e as exigências legais e sanitárias. Até o momento, não há confirmação de extravio. A família será orientada sobre a retirada dos restos mortais passíveis de entrega após a verificação”.
Marcus Pontes
METRÓPOLES
