Levantamento de sigilos confirma que Mendonça escondeu elos de Vorcaro com KN, Fux, Toffoli, Huck, Globo, Campos Neto, Flávio Bolsonaro e outros

02/10/2026 05h08 - Atualizado há 32 minutos

Dados extraídos de celulares expõem conexões do banqueiro com autoridades e revelam atuação parcial do ministro do STF

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Crédito: Victor Piemonte/STF / Banco Master/Divulgação

Os celulares de Daniel Vorcaro são fontes inesgotáveis de informações sobre as relações perigosas do banqueiro mafioso com altas autoridades públicas, políticos, empresários, policiais, jornalistas e, inclusive, com o apresentador Luciano Huck, da Globo.

Desde a primeira semana de setembro, depois que foram levantados os sigilos sobre o caso Master, o noticiário vem sendo inundado com a revelação dos conteúdos dos celulares de Vorcaro que o ministro relator André Mendonça escondia.

Durante meses, o ministro terrivelmente bolsonarista direcionou as apurações exclusivamente contra alvos que poderiam prejudicar a campanha à reeleição do presidente Lula para beneficiar a do gângster-filho.

Ao mesmo tempo em que enviesava as apurações com objetivo eleitoral, Mendonça escondia elos do banqueiro mafioso com pessoas importantes do ecossistema bolsonarista, como seus colegas de STF Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, e com o próprio Flávio Bolsonaro.

Mendonça escondeu, também, o espírito de “broderagem” e amorosidade na relação societária entre Luciano Huck e Vorcaro na propriedade de um avião a jato, assim como os acertos para patrocínios milionários ao programa dominical do apresentador da Globo e a intermediação de contrato do Master com a emissora.

Dentre as provas escondidas por Mendonça encontram-se, naturalmente, aquelas que mostram contatos e encontros do próprio Mendonça com Vorcaro. É razoável supor que tal vínculo possa ter rendido pelo menos R$ 5,2 milhões de repasses do esquema Master para o ITER, o instituto fundado pelo ministro.

Ainda há uma imensidão de conteúdos de interesse republicano e criminal a serem extraídos dos dispositivos eletrônicos de Vorcaro, e então se poderá ter uma visão totalizante sobre os vínculos e as negociatas do criminoso com o universo de pessoas vinculadas à direita e ao bolsonarismo.

O que já foi revelado apenas nessas semanas iniciais após o levantamento dos sigilos deixa claro que Mendonça agiu como um juiz de exceção, estilo Lava Jato, e direcionou politicamente as apurações para alcançar dividendos eleitorais.

É difícil aferir a extensão do dano político causado por Mendonça com a implosão do STF no dia 1º de setembro, mas é intuitivo supor que o estrago foi feito e foi bem significativo, oferecendo uma narrativa funcional à retórica bolsonarista.

Há uma abundância de indícios e provas que demonstram a absoluta parcialidade do ministro Mendonça, que instrumentalizou as apurações dos escândalos Master e INSS para fins político-partidários.

Mendonça já perdeu as relatorias destes dois casos, mas sua atuação precisa ser analisada e julgada, porque ele perdeu totalmente a legitimidade para continuar como ministro da Suprema Corte.

O presidente Edson Fachin manchará sua gestão na presidência do STF se continuar sentando em cima da representação contra Mendonça apresentada por Alexandre de Moraes.

A censura imposta por Mendonça à menção genérica não a Flávio Bolsonaro, mas à “família miliciana que odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”, evidencia que ele vestiu a carapuça da “família miliciana” e colocou a toga a serviço da censura, do fundamentalismo religioso e do gangsterismo bolsonarista.

Autor Jeferson Miola

BRASIL 247