Flávio Bolsonaro pediu quebra de sigilo porque não sabia que era investigado no inquérito Dark Horse

17/09/2026 05h00 - Atualizado há 1 hora

Coordenador da campanha afirma que Flávio Bolsonaro só soube do procedimento após retirada do sigilo sobre o caso

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Crédito: Roque de Sá/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta terça-feira (15) que o candidato não sabia que estava sendo investigado no caso Dark Horse antes da retirada do sigilo do procedimento.

Segundo o Estadão Conteúdo, Marinho disse que nem Flávio Bolsonaro nem sua defesa tinham conhecimento da condição de investigado. A existência do inquérito tornou-se pública após o levantamento do sigilo de procedimentos relacionados às investigações sobre o Banco Master.

“Nem o senador Flávio Bolsonaro sabia, porque estava dentro do inquérito. Ele não foi acionado, o advogado não falou. Soubemos quando caiu o sigilo”, afirmou Marinho.

Marinho diz que defesa também desconhecia inquérito

A declaração do coordenador da campanha busca estabelecer que Flávio não havia sido comunicado sobre sua inclusão formal na investigação antes de o procedimento se tornar público.

Marinho também afirmou que a apuração foi aberta pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido relacionado a informações da Polícia Federal. O senador defendeu que a investigação tenha prosseguimento.

Investigação foi aberta em julho

Documentos tornados públicos mostram que Flávio Bolsonaro está sob investigação no caso desde julho. Em 22 de julho, André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito policial para apurar a possível participação do senador em crimes relacionados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

A abertura do inquérito foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o pedido da PF divulgado após a retirada do sigilo, os investigadores querem apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.

A publicidade do procedimento ocorreu somente em setembro, depois que Mendonça levantou o sigilo de investigações derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O conteúdo integral de determinadas diligências, contudo, continuou protegido por sigilo.

PF apura financiamento de R$ 61 milhões

Um dos pontos centrais da investigação é o financiamento do financiamento Dark Horse. apuração envolve um repasse de R$ 61 milhões atribuído a Vorcaro para custear a produção do filme. A suspeita investigada pela PF é de que os recursos tenham sido disponibilizados a pedido de Flávio Bolsonaro.

A relação do senador com o financiamento ganhou repercussão após a divulgação de gravações nas quais Flávio aparece solicitando recursos a Vorcaro para o projeto. Flávio Bolsonaro não negou a autenticidade dos áudios e afirmou não haver irregularidades na busca de recursos privados para financiar o projeto..

A investigação sobre o financiamento do longa também avançou com a homologação, por André Mendonça, da colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é apontado como responsável por repasses de recursos ligados ao projeto para o fundo Havengate, nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro também é investigado

O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro também figura como alvo da investigação. Segundo os documentos tornados públicos, ele é apontado como possível beneficiário de parte dos recursos investigados.

A apuração do caso Dark Horse possui ainda outra frente relacionada ao possível uso de recursos públicos. Em operação realizada em 10 de setembro, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos estavam o deputado Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, ligada ao filme.

Paulo Emílio

BRASIL 247