Flávio Bolsonaro atenta contra a soberania do Brasil para se eleger
Sob o bombardeio de Trump, a direita que se diz nacionalista celebra um ato de força
Flávio Bolsonaro, a versão moderada do pai “que o país tanto esperava ver”, morreu ontem quando o governo de Donald Trump classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, intervindo assim diretamente em assuntos internos do Brasil. A partir de agora, no limite, os Estados Unidos podem fazer operações militares na Amazônia à revelia do governo brasileiro e bombardear áreas sob o controle do crime organizado. Tudo a pretexto do combate ao terror.
“Grande dia”, celebrou Flávio. “O povo brasileiro de bem agradece a atenção e o compromisso de Donald Trump. Essa luta é de todos nós. Vamos dar um basta nesses grupos!”. Os demais pré-candidatos da direita à Presidência, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO), aproveitaram a ocasião para reforçar suas críticas a Lula. Zema afirmou que Flávio “foi capaz” de fazer aquilo que Lula “deveria ter feito há muito tempo”. Rogério Marinho, líder do PL no Senado, previu que a partir de 2027 “bandido voltará a temer a lei”.
Lembra-se de que Flávio, em outubro do ano passado, ao ver um vídeo de uma embarcação sendo bombardeada pelos Estados Unidos no Oceano Pacífico, declarou sentir “inveja” da ação? Ele questionou se as autoridades americanas não gostariam de passar alguns meses no Rio combatendo os barcos que, segundo ele, inundam a Baía de Guanabara com drogas. Convocado pela Casa Branca para um encontro com Trump, Flávio passou dois dias em Washington batendo às portas de autoridades, pedindo que os Estados Unidos combatam o crime organizado no Brasil. Pediu ao próprio Trump nos poucos minutos em que esteve com ele para tirar uma selfie.
Flávio não passa de um peão de Trump. Ou dá para acreditar que o governo americano, em menos de 48 horas, atendeu ao pedido dele de intervir em assuntos internos do Brasil? O mais provável é que a decisão de intervir já estivesse tomada, e que Flávio, às voltas com o escândalo do Banco Master — a quem pediu dinheiro para financiar um filme sobre seu pai —, tenha sido chamado para extrair vantagens dela. Com seu gesto, Trump escolheu de que lado ficará nas eleições de outubro próximo; o mesmo lado que o levou a coagir a Justiça brasileira em 2025 para que não condenasse Jair Bolsonaro.
Soberania é a expressão máxima do poder e da independência de um Estado, que garante o direito exclusivo de legislar, administrar a Justiça e conduzir seus assuntos internos e externos sem interferência estrangeira. Lacaio designa uma pessoa que se submete à vontade de outra de forma servil ou bajuladora para obter favores ou vantagens. Sinônimos de lacaio: capacho, sabujo e puxa-saco. Flávio rifou a soberania do Brasil em troca do apoio americano, sem o qual não se elegerá. Comportou-se como um lacaio exemplar.
No último dia 21, em evento no Espírito Santo, Lula profetizou: “Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem garante que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”.
Ricardo Noblat
METRÓPOLES
