DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA: Flávio repete o pai e chega às urnas sob o peso de investigações da PF

13/09/2026 05h13 - Atualizado há 50 minutos

A família do barulho

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Samuel Pancher / Metrópoles

“Gente, acorda. Flávio Bolsonaro é o único candidato à Presidência da República, nas eleições daqui a 22 dias, investigado por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — o único. E, convenhamos, não é pouca coisa.

De 1989 para cá, isso só aconteceu com outro candidato. Adivinhem qual… Sim, Jair Bolsonaro, em 2022, quando tentou se reeleger presidente. Por sinal, foi o único no exercício do cargo que acabou sendo derrotado. Não bastasse isso, é o único ex-presidente do Brasil formalmente julgado, condenado e preso pelo crime de tentativa de golpe de Estado. Família do barulho, essa.

Juntamente com seu irmão, Eduardo, que mora nos Estados Unidos sob a proteção de Donald Trump, Flávio é investigado desde julho último pela Polícia Federal. O inquérito foi autorizado pelo ministro ‘terrivelmente evangélico’ André Mendonça e apura suspeitas de crimes no financiamento do filme Dark Horse, em homenagem ao pai deles.

Mendonça levantou o sigilo sobre o caso a pedido de seu colega Edson Fachin, presidente do STF. Por ele mesmo, não o faria tão cedo; deixaria passar o primeiro e o segundo turno das eleições para não influir nos resultados nem prejudicar Flávio.

Para o escolhido pelo pai para herdar seus votos, a discussão sobre o filme ‘é página virada’ e ele não deve mais explicações. Esqueceu de combinar com Fachin. Esqueceu também de combinar com o cineasta, produtor e diretor do filme, o norte-americano Cyrus Nowrasteh, que utilizou sua conta na rede social X para afirmar que os valores amplamente divulgados pela imprensa sobre o custo do longa são ‘ridiculamente inflados’.

A manifestação do diretor ocorreu após jornais brasileiros comentarem o orçamento atribuído a Dark Horse — de cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões).

Eleitor que se diz contra a corrupção vota em candidato investigado por corrupção? Claro que sim. O antipetismo recusa qualquer coerência ou lógica.

Segundo Alice Maciel, repórter do ICL, empresas de Flávio dividem a mesma sala em Brasília com 16 firmas do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’. Antunes ganhou notoriedade nacional como o pivô de um esquema bilionário de fraudes e desvios envolvendo descontos associativos indevidos nas aposentadorias e pensões de milhões de beneficiários da autarquia. Ele está preso.

A sensação no entorno de Lula é que a semana termina melhor do que começou. Para Flávio, é o oposto.

Ricardo Noblat

METRÓPOLES